Nikolas Ferreira critica Janja e PL da Misoginia
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) utilizou a tribuna do Congresso Nacional nesta terça-feira (15) para direcionar críticas contundentes ao Projeto de Lei da misoginia e à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. O parlamentar questionou a declaração de Janja, que associar a ela altos gastos seria uma forma de misoginia, e argumentou que o Congresso estaria distanciado da realidade ao priorizar o debate sobre o PL em detrimento de questões urgentes como o custo de vida.
Em seu discurso, Ferreira destacou o aumento dos preços de itens essenciais, como a gasolina, e contrapôs essa realidade à discussão sobre a criminalização de piadas. “Enquanto você está pagando mais na gasolina, pagando mais em suas viagens, o Congresso Nacional está preocupado em criminalizar piada”, afirmou o deputado. Ele também ironizou a percepção de desrespeito de Janja ao ser chamada de “gastadeira”, sugerindo que, para quem não tem cargo público mas dispõe de um gabinete, a crítica pode configurar misoginia. Ferreira ainda alegou que a primeira-dama teria passado mais tempo fora do Brasil do que o próprio presidente da República.
A declaração de Janja, que classificou o apelido de “gastadeira” como uma “estratégia da extrema-direita” e uma expressão de “misoginia pura”, foi feita em entrevista ao portal Uol. Segundo ela, suas estadias em embaixadas e a opção pela classe executiva em voos internacionais são justificadas por protocolos de “segurança” e por “articulações” relacionadas ao cargo. Janja também mencionou ser a “primeira vez” que o brasileiro vê uma primeira-dama em atuação, um comentário que gerou repercussão ao, implicitamente, desconsiderar o trabalho de Ruth Cardoso durante os mandatos de Fernando Henrique Cardoso.
Debate sobre o PL da Misoginia e críticas à deputada Erika Hilton
As críticas de Nikolas Ferreira ao PL da misoginia se estenderam a um embate anterior com a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP). O deputado expressou sua visão sobre a dificuldade de criticar determinadas figuras, como um “homem biológico” que preside a Comissão da Mulher, sob o risco de ser acusado de misoginia. “Você não pode criticar um homem biológico que é presidente da Comissão da Mulher, porque senão é misoginia. Você não pode criticar o projeto de misoginia, senão é misoginia. A gente deve estar sem preocupação mesmo no Brasil hoje, né?”, questionou.
O PL 896/2023 em questão visa equiparar a discriminação contra a mulher à Lei do Racismo, tornando a misoginia um crime inafiançável e imprescritível. A redação do projeto tem sido alvo de críticas por sua generalidade e subjetividade, sem definições claras das práticas que seriam criminalizadas. A votação da matéria foi adiada e está prevista para ocorrer após o recesso parlamentar, conforme anunciado pelo presidente da Câmara, Arthur Lira, em plenário.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Congresso Nacional e pelo portal Uol.
