Presidente Donald Trump declarou nesta quarta-feira (15) que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) continuará com as abordagens de veículos em todo o país. A afirmação contraria um anúncio anterior de pausa temporária na prática, que havia sido feita após a morte de dois imigrantes durante operações recentes no Texas e no Maine. Trump defendeu a medida como uma ferramenta crucial para o combate ao crime.
Em postagem nas redes sociais, o presidente afirmou: “Precisamos ser fortes, firmes e inteligentes, e NÃO PODEMOS abrir mão de uma das ferramentas mais importantes e eficazes do ICE no combate ao crime: A PARADA DE TRÂNSITO!”. A declaração sinaliza uma divergência direta com o anúncio feito por Tom Homan, responsável pela política de fronteiras do governo Trump, que informou sobre uma suspensão temporária das abordagens de veículos.
As táticas do ICE voltaram a ser alvo de intensas críticas após dois incidentes fatais em menos de uma semana. Na segunda-feira (13), um agente do ICE matou a tiros Johan Sebastian Duran, 25, um imigrante colombiano com autorização de trabalho nos EUA, durante uma abordagem de trânsito em Biddeford, Maine. Seis dias antes, outro agente federal matou Lorenzo Salgado, cidadão mexicano, em circunstâncias semelhantes em Houston, Texas. Em ambos os casos, as autoridades admitiram que os motoristas não eram os alvos originais das operações.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Associated Press e por veículos de imprensa internacionais.
Revisão de Política ou Continuidade?
Tom Homan havia descrito a pausa nas abordagens como uma “revisão de curto prazo para garantir que os agentes do ICE estejam seguros e agindo da maneira correta”, enfatizando que não se tratava de uma mudança de política permanente. No entanto, a intervenção direta de Trump sugere uma forte determinação em manter a prática ativa, apesar das controvérsias e das vidas perdidas.
Os incidentes motivaram protestos em diversas cidades americanas, incluindo Boston e Houston, e reacenderam o debate sobre a ausência de câmeras corporais entre os agentes do ICE. As autoridades federais não apresentaram evidências que comprovem que os indivíduos mortos representavam uma ameaça iminente que justificasse o uso da força letal.
Contexto de Intensificação e Críticas
Desde o retorno de Trump ao cargo em janeiro de 2025, com a promessa de deportações em massa, pelo menos seis pessoas foram mortas a tiros durante operações federais de fiscalização de imigração. As prisões de imigrantes têm aumentado nas últimas semanas, mesmo com uma mudança estratégica do governo para operações mais direcionadas, afastando-se das batidas em larga escala que marcaram repressões anteriores em cidades administradas por democratas. Essa abordagem repressiva já gerou críticas severas, especialmente após a morte de dois cidadãos americanos em Minnesota no início deste ano, em circunstâncias relacionadas a operações de fiscalização.
