Empresas estatais não dependentes do Brasil saem de ciclo de lucros para enfrentar déficit crescente sob o governo Lula, exigindo aportes bilionários do Tesouro Nacional.
Um cenário financeiro preocupante se desenha para as empresas estatais brasileiras consideradas não dependentes. Após um período de resultados positivos, essas companhias acumularam um prejuízo expressivo de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio de 2026. Essa reversão drástica contrasta com os R$ 17,46 bilhões em lucros gerados pelo mesmo grupo de empresas entre 2019 e 2022, um período em que o Tesouro Nacional não precisou realizar aportes significativos para cobrir seus déficits. A situação atual demanda injeções bilionárias do governo federal, o que, na prática, retira recursos que poderiam ser destinados a outras áreas e programas essenciais.
As informações, baseadas em auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), indicam uma falha sistêmica na gestão e fiscalização dessas empresas. A necessidade de cobrir o rombo das estatais impacta diretamente o cidadão comum, pois o dinheiro que deveria ser investido em políticas públicas, como saúde, educação ou infraestrutura, é desviado para sustentar operações deficitárias. Em 2025, por exemplo, cerca de 91% do valor contingenciado do orçamento foi direcionado para cobrir as perdas dessas companhias.
Correios lideram lista de empresas em situação crítica
Entre as companhias mais afetadas, os Correios despontam como o caso mais grave, operando em insolvência técnica, condição em que as dívidas e os custos superam a capacidade de pagamento. Outras estatais em situação delicada incluem a Emgepron, responsável por projetos navais, a gestora de ativos Emgea, a Infraero e a Eletronuclear. Esta última, especificamente, enfrenta dificuldades com tarifas que não acompanham seus custos operacionais, contribuindo para o seu endividamento.
Causas da deterioração financeira e perspectivas sombrias
O TCU aponta como causas para essa deterioração uma fiscalização deficiente por parte dos ministérios gestores, além de desvios significativos entre o planejado e o executado nos gastos. O órgão de controle também critica o uso de manobras para maquiar resultados financeiros e a falta de controle rigoroso sobre os recursos repassados pelo Tesouro, o que pode abrir brechas para o uso inadequado de verbas públicas. As projeções para os próximos anos não são otimistas, com o próprio governo federal estimando que essas empresas continuarão operando no vermelho até 2030. Para evitar o colapso de instituições como os Correios, a União já se comprometeu a injetar R$ 6 bilhões até 2027.
As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
