CFM regulamenta uso de plasma rico em plaquetas para quatro condições osteomusculares
CFM regulamenta uso de plasma rico em plaquetas para quatro condições osteomusculares

CFM regulamenta uso de plasma rico em plaquetas para quatro condições osteomusculares

Conselho Federal de Medicina autoriza aplicação de PRP em casos específicos, visando alívio da dor e recuperação tecidual. O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nesta quarta-feira (15) no Diário Oficial da União uma resolução que regulamenta o uso do plasma rico em plaquetas (PRP) como tratamento adjuvante para quatro condições osteomusculares. A decisão abre […]

Resumo

Conselho Federal de Medicina autoriza aplicação de PRP em casos específicos, visando alívio da dor e recuperação tecidual.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou nesta quarta-feira (15) no Diário Oficial da União uma resolução que regulamenta o uso do plasma rico em plaquetas (PRP) como tratamento adjuvante para quatro condições osteomusculares. A decisão abre caminho para que médicos utilizem a técnica em pacientes com osteoartrite de joelho (artrose), discopatia lombar (desgaste de discos da coluna), epicondilite lateral do cotovelo (cotovelo de tenista) e após cirurgias de reparo meniscal.

A regulamentação, no entanto, reforça que o PRP não substitui tratamentos clínicos, de reabilitação, intervencionistas ou cirúrgicos já estabelecidos para cada patologia. A técnica consiste na coleta de sangue do próprio paciente, que é centrifugado para concentrar as plaquetas e os fatores de crescimento. Esse plasma concentrado é então injetado na área lesionada, geralmente sob anestesia local, com o objetivo de estimular a reparação tecidual.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Conselho Federal de Medicina.

Um avanço para o tratamento de dores crônicas

Francisco Cardoso, vice-corregedor do CFM e relator da resolução, destacou o potencial do PRP para auxiliar pacientes com dor crônica, podendo inclusive postergar ou evitar a necessidade de cirurgias, especialmente em idosos. “O plasma rico em plaquetas é uma arma muito importante, que já é usada em vários outros países e o CFM agora acolhe, adota e valida perante os médicos”, afirmou Cardoso. Ele explicou que, antes da regulamentação, o procedimento era considerado experimental, e a tendência é que, com essa validação, mais hospitais e serviços especializados passem a oferecer a terapia.

Segurança e limitações do procedimento

A resolução estabelece que o PRP deve ser preparado exclusivamente com o sangue do próprio paciente, proibindo o uso de material de terceiros. Adicionalmente, veda-se a divulgação do procedimento com promessas de cura, garantia de resultados ou como substituto de cirurgias indicadas. O CFM também ressalta que o PRP não é um produto comercializável pela indústria farmacêutica, mas sim um derivado do sangue do próprio paciente, preparado em serviços médicos com os equipamentos adequados.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que a definição das indicações terapêuticas para procedimentos como o PRP não é de sua competência, cabendo essa decisão aos conselhos profissionais. Anteriormente, a Anvisa havia notado que enquanto outros conselhos autorizavam o uso do PRP em procedimentos odontológicos e estéticos, o CFM o classificava como experimental.

Diferenciação com uso estético

É importante notar que o PRP também é utilizado em procedimentos estéticos, como o popular “vampire facial”. No entanto, o CFM não regulamenta este uso específico. Em reportagens anteriores, clínicas anunciavam o procedimento estético por valores entre R$ 2.400 e R$ 3.000 por sessão, embora a Sociedade Brasileira de Dermatologia tenha recomendado seu uso apenas em protocolos de pesquisa sem cobrança aos pacientes. A resolução do CFM visa garantir acesso a um tratamento com potencial terapêutico para condições osteomusculares, buscando reduzir o impacto do envelhecimento sobre o sistema de saúde.

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