O brinquedo que se tornou polêmico
Uma boneca negra projetada para alívio do estresse, conhecida como ‘Natasha’, tornou-se alvo de uma onda de conteúdo perturbador nas redes sociais chinesas. Usuários têm compartilhado vídeos onde o brinquedo, em formato de bebê, é submetido a atos de violência e conteúdo sexualizado. A popularidade do boneco, que inicialmente visava oferecer um meio de reduzir a tensão e a ansiedade, agora gera controvérsia e críticas por promover o racismo e a violência.
As publicações incluem imagens de usuários amassando, esticando, perfurando, pisoteando e esfaqueando a boneca. Em outros casos, são feitos gestos obscenos em áreas que remetem à genitália, e o rosto dos bonecos é pintado com pó branco, em uma representação que muitos consideram racista e degradante. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela agência de notícias Xinhua e relatos em redes sociais chinesas.
Críticas e o ‘triplo fardo’ da boneca
Nas plataformas digitais, como o Weibo, comparável ao X, a forma como a boneca Natasha tem sido utilizada tem sido amplamente criticada. Muitos usuários apontam o que chamam de um “triplo fardo” do brinquedo, por ele representar simultaneamente o gênero feminino, bebês e a população negra. Um usuário expressou seu descontentamento, descrevendo os vídeos como “muito racistas” e comparando alguns atos a “maus-tratos a crianças”. Outros argumentam que a violência direcionada à boneca reflete o preconceito enfrentado por chineses com base em suas características físicas.
Origem e popularidade inesperada
A proposta original da boneca Natasha, assim como outros brinquedos antiestresse, era proporcionar uma sensação agradável ao ser manuseada em momentos de tensão. Geralmente preenchidos com materiais como areia, gel ou bolinhas, esses objetos buscam oferecer conforto tátil. A popularidade da boneca na China explodiu após um vídeo viral mostrar o brinquedo caindo no chão e se deformando de maneira exagerada. A imprensa local tem alertado para os riscos de crianças e adolescentes normalizarem a violência como forma de lidar com o estresse, a partir do uso inadequado do produto.
Disponibilidade e fiscalização
Apesar das críticas e da polêmica, as bonecas Natasha continuam disponíveis para venda em grandes plataformas de comércio eletrônico chinesas, como o Taobao, com preços acessíveis, muitas vezes inferiores a R$ 10. Os vendedores destacam a resistência e a segurança do material. No entanto, a venda do produto não esteve isenta de escrutínio. Em algumas províncias, órgãos fiscalizadores realizaram inspeções que levaram à retirada de bonecos e outros artigos plásticos das prateleiras devido a irregularidades, como a falta de laudos e a origem desconhecida dos materiais.
A popularidade da boneca é notável desde maio, quando diversas fábricas já haviam vendido mais de 100 mil unidades. Na época, a demanda pela versão “marrom” do brinquedo era particularmente alta, segundo a imprensa estatal, com o produto esgotado em algumas manufaturas.
