A Receita Federal apreendeu um caminhão abandonado na Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai, carregado com centenas de medicamentos emagrecedores paraguaios, avaliados em R$ 500 mil. A carga ilícita estava oculta em um fundo falso no teto do veículo, misturada a agrotóxicos, cigarros eletrônicos, smartphones, peças de automóveis e outros produtos contrabandeados. O motorista do caminhão, com placa paraguaia, não foi encontrado e ninguém foi preso até o momento.
A descoberta, ocorrida na manhã desta terça-feira (14), expôs uma operação de contrabando que desrespeita completamente as normas sanitárias e representa um sério risco à saúde pública. Auditores e analistas da Receita Federal classificaram o transporte de medicamentos como a tirzepatida – conhecida comercialmente como Mounjaro no Brasil e vendida no Paraguai sob marcas como TG e Tirzec – em meio a agrotóxicos e outros itens como uma “grave irregularidade”.
O caminhão e toda a carga apreendida foram encaminhados para o pátio da alfândega da Receita em Foz do Iguaçu, no Paraná. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe a entrada, venda e uso dessas canetas emagrecedoras no Brasil, mesmo que sejam liberadas pela autoridade sanitária paraguaia, a Dinavisa. A tirzepatida, para manter sua eficácia, necessita de refrigeração, uma condição que raramente é atendida durante o contrabando. Os medicamentos são frequentemente escondidos em locais quentes, como fundos falsos, pneus ou próximos a motores de veículos, para evitar a fiscalização.
Aumento expressivo nas apreensões de medicamentos ilegais
A região de Foz do Iguaçu tem registrado um aumento alarmante na apreensão dessas canetas emagrecedoras. Somente neste ano, mais de 115 mil unidades foram retidas, um número significativamente maior em comparação com as 7.479 unidades apreendidas no ano passado. Uma das maiores apreensões recentes ocorreu na última sexta-feira (10), quando 5.850 canetas e ampolas de medicamentos para emagrecimento foram encontradas em uma van com placas paraguaias. O veículo era conduzido por um motorista paraguaio e transportava quatro passageiros, sendo três brasileiros.
Além da tirzepatida, a carga apreendida nesta terça-feira também pode conter retatrutida, um medicamento experimental que, embora não esteja oficialmente disponível no mercado em nenhum país, é facilmente encontrado no Paraguai. A disseminação dessas canetas no Brasil é atribuída ao seu custo acessível, à facilidade de aquisição e à fiscalização considerada deficiente nas fronteiras. Enquanto o tratamento mensal com Mounjaro (tirzepatida) 15 mg custa a partir de R$ 3.499 no Brasil e exige receita médica, a versão paraguaia é vendida por cerca de R$ 430 em Ciudad del Este, sem a necessidade de prescrição.
Riscos à saúde e a importância da regulamentação
As canetas emagrecedoras são classificadas como agonistas de GLP-1, hormônios que atuam no controle da glicose sanguínea e nos mecanismos de saciedade. No entanto, entidades médicas alertam para os sérios riscos à saúde associados ao uso de medicamentos que não passaram pela avaliação da Anvisa. Esses produtos não foram submetidos aos rigorosos testes de qualidade, segurança e eficácia exigidos pela agência reguladora brasileira, o que pode levar a consequências imprevisíveis e graves para os usuários.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Receita Federal.
