Tensão no Golfo Pérsico se intensifica com novas ameaças de Trump ao Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (13) uma série de medidas drásticas em relação ao Irã, elevando a tensão em torno do estratégico Estreito de Hormuz. Em meio a uma escalada de confrontos, Trump declarou que os EUA retomarão o bloqueio a navios iranianos na via marítima e propôs a cobrança de um pedágio para garantir o tráfego na região. Além disso, o líder americano afirmou que os EUA “acabarão com a Montanha da Picareta”, apelido de um dos principais bunkers nucleares do Irã, localizado perto de Natanz. Novos ataques contra o país foram prometidos até terça-feira (14).
As declarações foram feitas em entrevista à Fox News e em publicações nas redes sociais, onde Trump detalhou seus planos. “Nós vamos manter o controle do estreito e provavelmente administrá-lo. Seremos os guardiões do estreito. Talvez o anjo da guarda do estreito. E deveríamos ser reembolsados por isso”, disse o presidente. Ele sugeriu uma taxa de 20% sobre toda a carga transportada pela rota, comparando a iniciativa ao pedágio cobrado pelo Egito no Canal de Suez, embora ressaltando as diferenças geográficas e de controle.
A Marinha americana confirmou que o bloqueio, focado em impedir a entrada e saída de navios iranianos, entrará em vigor a partir das 17h (horário de Brasília) desta terça-feira (14). Em resposta, o comando militar conjunto do Irã emitiu um comunicado declarando que não permitirá a atuação dos EUA na região e que atacará qualquer embarcação que não possua autorização. O Irã também advertiu vizinhos que apoiarem os EUA, considerando tal ato como “um ato de guerra”. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo G1.
O Irã como “guardião” e a disputa pelo controle de Hormuz
Trump já havia expressado anteriormente o desejo de controlar o tráfego marítimo no Estreito de Hormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás natural mundial. Em declarações anteriores, ele já havia sugerido que, se houvesse um pedágio, ele deveria ser pago pelos países aos EUA, e não ao Irã. A presença militar americana na região, contudo, não seria suficiente para garantir um corredor de passagem totalmente seguro contra ataques iranianos, embora um bloqueio naval anterior a embarcações iranianas tenha se mostrado eficaz na pressão sobre Teerã.
O cenário atual é de crescente complexidade, com a trégua declarada morta por Trump na semana passada e uma série de ataques mútuos entre EUA e Irã. Na segunda-feira, os EUA empregaram drones aquáticos contra uma instalação de reparos de navios e submarinos do Irã em Bandar Abbas. Em retaliação, o Irã alvejou instalações americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia, além de posições em Omã, país que negocia um esquema de controle de Hormuz com Teerã.
Impacto no tráfego marítimo e o programa nuclear iraniano
O Estreito de Hormuz, controlado conjuntamente por Omã e Irã em suas margens, tem visto seu tráfego marítimo cair drasticamente com a volta das hostilidades, atingindo o menor nível desde o cessar-fogo de junho. Antes da guerra, cerca de 140 navios transitavam pela região diariamente. O Irã, que havia prometido fechar o estreito durante o conflito, utilizou ataques pontuais a petroleiros como forma de pressionar e, posteriormente, buscar garantir sua posição estratégica através da cobrança de pedágios.
A disputa pelo controle de Hormuz e os ataques pontuais ocorrem em um momento delicado, com o Irã possuindo 441 kg de urânio enriquecido a 60%, com potencial aplicação militar. As negociações sobre o programa nuclear iraniano, que os EUA afirmam poder continuar apesar da crise, e o destino desse material são pontos cruciais em meio à escalada de tensões. A afirmação de Trump sobre “acabar” com o complexo de Natanz, alvo de ataques anteriores, sinaliza um possível aprofundamento do conflito, que ocorre às vésperas de eleições legislativas nos EUA, onde a guerra é impopular.
