América Latina enfrenta um cenário de insegurança alarmante, com 41 das 50 cidades mais violentas do mundo situadas na região, conforme revela um relatório recente. A disputa acirrada pelo controle de rotas de tráfico e mercados ilícitos, incluindo cocaína e metanfetamina, é apontada como a principal causa dessa escalada de violência, que se manifesta em altas taxas de homicídios e um número crescente de desaparecimentos.
A capital do Haiti, Porto Príncipe, liderou o ranking em 2025, registrando aproximadamente 198 assassinatos por 100 mil habitantes. O Equador e o México concentram a maioria das cidades mais perigosas, segundo a organização mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal. O Brasil também figura na lista com seis cidades: Fortaleza, Feira de Santana, Recife, Maceió, Salvador e Porto Velho.
A fragmentação de grupos criminosos, muitas vezes desencadeada pela morte ou captura de seus líderes, intensifica a rivalidade entre facções pela dominação territorial. A expansão de atividades ilícitas como extorsão, mineração ilegal e roubo de combustíveis agrava ainda mais a situação. Pesquisadores apontam que as respostas governamentais, como a militarização e a decretação de estados de exceção, têm se mostrado limitadas ou até contraproducentes, falhando em conter a violência de forma eficaz.
A Complexidade do Narcotráfico e o Aumento da Violência
Elizabeth Dickinson, vice-diretora do programa para América Latina e Caribe do International Crisis Group, destaca a fragmentação da cadeia do narcotráfico como um fator crucial. Atualmente, o crime organizado opera em redes transnacionais complexas, envolvendo entre seis e dez organizações distintas em diferentes elos da cadeia, da produção à distribuição. Essa estrutura facilita a participação de grupos locais no negócio ilícito, aumentando a competição e, consequentemente, a violência.
O aumento da violência também se reflete em um número cada vez maior de desaparecimentos na região. Juliana Manjarrés, pesquisadora da InSight Crime, explica que a dificuldade em determinar quantos desaparecidos foram vítimas de homicídio compromete a precisão das estatísticas de criminalidade, mascarando a real dimensão do problema. Essa falta de dados confiáveis é um obstáculo adicional para a formulação de políticas públicas eficazes.
Perspectivas e Desafios Futuros
Apesar do cenário desolador, há sinais de que os homicídios podem estar diminuindo em algumas partes da América Latina, mesmo com o aumento dos desaparecimentos. No entanto, o crime organizado tem demonstrado uma capacidade notável de penetrar em áreas antes consideradas seguras, como exemplificado pela rápida deterioração da segurança no Equador. Dickinson defende uma abordagem que ataque as raízes da violência, como a desigualdade social, a falta de oportunidades para jovens e o descontentamento social, fatores que o crime organizado explora para se expandir.
Em contrapartida, o Índice de Segurança, que compila informações de moradores, aponta cidades como Querétaro (México), Cuenca (Equador) e Florianópolis (Brasil) como as mais seguras na região. Contudo, a tendência geral sugere que, independentemente do nível de segurança aparente, o crime organizado representa uma ameaça persistente e em constante adaptação.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela organização não governamental mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, InSight Crime e International Crisis Group.
