A trajetória de Donald Trump em relação à Copa do Mundo de 2026 espelha a evolução de sua postura política internacional: de um interesse inicial focado na projeção nacional a uma interferência direta nos bastidores do evento, culminando em um cenário global turbulento. Em 2018, ainda no primeiro mandato, Trump usava o Twitter para defender a candidatura conjunta de Estados Unidos, Canadá e México, pressionando nações aliadas a apoiar a empreitada americana. Na época, o lema “America First” guiava sua política externa, mas o protagonismo global que marcaria seu retorno à Casa Branca ainda não havia se consolidado.
Oito anos depois, já de volta ao poder e com uma abordagem mais intervencionista, Trump reconfigurou sua relação com o torneio. A proximidade com a FIFA se intensificou, com participação em eventos ligados à competição e o recebimento do Prêmio da Paz da entidade. Contudo, a paz esteve longe de definir o contexto do Mundial. Os meses que antecederam o evento foram marcados por uma escalada da política externa americana, incluindo a intervenção na Venezuela e o início de uma guerra contra o Irã. Essa tensão global se projetou diretamente sobre a Copa, com bombardeios americanos ao Irã ocorrendo durante a realização do torneio.
A situação do Irã, aliás, reverberou na participação de sua seleção. A equipe reclamou repetidamente das dificuldades para desembarcar e se aclimatar nas cidades-sede americanas, culminando em sua eliminação precoce na fase de grupos. Apesar do simbolismo do torneio, o futebol raramente ocupou o centro da agenda presidencial de Trump, que, segundo relatos, acompanhava trechos de jogos com entusiasmo, mas evitava comprometer sua agenda para comparecer a partidas.
Interferência e Controvérsias nos Bastidores
A influência de Trump na Copa se manifestou de forma mais emblemática em episódios de bastidores. Um dos casos mais notórios envolveu a expulsão do atacante Folarin Balogun, que ficaria suspenso de uma partida crucial. O ex-presidente admitiu ter contatado Gianni Infantino, presidente da FIFA, para solicitar a revisão do caso. Embora a FIFA tenha sustentado que a revisão foi conduzida por um comitê independente, a intervenção gerou críticas sobre a proximidade entre a Casa Branca e a entidade máxima do futebol.
Em resposta às críticas, o governo americano buscou descredibilizar a atuação do árbitro brasileiro Raphael Claus, citando seu depoimento em uma CPI sobre manipulação de jogos. No entanto, Claus nunca foi investigado pela comissão, tendo sido apenas convidado a prestar esclarecimentos. Andrew Giuliani, responsável pela força-tarefa da Casa Branca para a Copa, defendeu a postura de Trump, associando a defesa do “fair play” em campo à sua visão de “fair play” nas urnas, em uma tentativa de justificar a interferência presidencial em assuntos esportivos.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa.
