Atemoia Desbanca Fruta-do-conde e Conquista Mercado Brasileiro
Atemoia Desbanca Fruta-do-conde e Conquista Mercado Brasileiro

Atemoia Desbanca Fruta-do-conde e Conquista Mercado Brasileiro

A fruta que conquistou o paladar e o comércio A atemoia, um híbrido resultante do cruzamento entre a pinha (ou fruta-do-conde) e a cherimoia, tem se destacado no mercado brasileiro, superando em muitos aspectos a sua ‘parente’ mais conhecida. Originária de experimentos do início do século XX nos Estados Unidos, a atemoia foi desenvolvida com […]

Resumo

A fruta que conquistou o paladar e o comércio

A atemoia, um híbrido resultante do cruzamento entre a pinha (ou fruta-do-conde) e a cherimoia, tem se destacado no mercado brasileiro, superando em muitos aspectos a sua ‘parente’ mais conhecida. Originária de experimentos do início do século XX nos Estados Unidos, a atemoia foi desenvolvida com o objetivo de unir o sabor e a resistência ao frio da cherimoia à produtividade e adaptação ao calor da pinha. No Brasil, sua chegada na década de 1960 foi facilitada pela familiaridade com a fruta-do-conde, mas foi nas últimas décadas que a atemoia realmente ganhou força, atraindo consumidores e produtores.

A diferença entre as duas frutas é notável ao observar seus detalhes. A pinha apresenta gomos mais salientes que podem se abrir com o amadurecimento, enquanto a atemoia possui uma superfície mais uniforme, formato que lembra um coração e, geralmente, é maior e mais pesada. Sua polpa é mais firme, menos repleta de sementes e oferece um equilíbrio entre doçura e uma leve acidez, características que agradam ao paladar. Para o comércio, a atemoia se mostra superior por resistir melhor ao transporte e ter uma vida útil mais longa após a colheita, minimizando perdas e prejuízos.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Ceagesp, Casa da Agricultura de Guaiçara (Cati), Ceasa Paraná e Embrapa.

Mercado em expansão e dados de comercialização

Na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp), a atemoia tem apresentado volumes de comercialização expressivos. Em 2025, o volume atingiu 3.281 toneladas, superando a média anual da última década, que foi de 2.929 toneladas. Embora a atemoia não substitua completamente a pinha, ela ocupa um nicho estratégico, especialmente em períodos em que a oferta da fruta-do-conde diminui. Levantamentos históricos indicam que a pinha tem maior oferta entre fevereiro e maio, enquanto a atemoia se concentra de maio a agosto, permitindo que ambas coexistam no mercado sem competir diretamente.

O engenheiro agrônomo Edson Tadashi Savazaki explica que a produção paulista de atemoia pode se estender de fevereiro a outubro, variando conforme as condições climáticas das diferentes regiões. Essa distribuição produtiva, aliada ao cultivo de diversas variedades, garante uma oferta mais constante ao longo do ano. Na Ceagesp, o preço médio da atemoia em 2025 foi de R$ 9,10 por quilo, posicionando-a como uma fruta de qualidade premium, mas acessível, comparável ao preço da maçã e da própria pinha.

Em Curitiba, a atemoia também tem ganhado destaque. Na Ceasa Paraná, o preço médio em 2025 foi de R$ 8,86 por quilo, significativamente menor que os R$ 17,20 da fruta-do-conde. O volume comercializado na capital paranaense praticamente dobrou em quatro anos, passando de 245 toneladas em 2021 para 479 toneladas em 2025. A maior parte da atemoia que chega ao atacado curitibano tem origem em São Paulo, mas o Paraná já demonstra uma produção local crescente.

Cadeia produtiva e variedades no Brasil

A produção brasileira de atemoia concentra-se majoritariamente na Região Sudeste, com São Paulo sendo um polo de referência técnica e produtiva. Cidades como Jarinu, Atibaia, Itatiba, Pilar do Sul, Itapetininga, Paranapanema e Catanduva são importantes centros de cultivo. Minas Gerais também desempenha um papel crucial, com municípios como Turvolândia e Jaíba sendo grandes fornecedores para o mercado paulista. A diversidade climática entre as regiões produtoras, desde áreas mais quentes no noroeste paulista até regiões de clima ameno, contribui para a oferta escalonada da fruta.

Duas variedades de atemoia se destacam no mercado brasileiro: a Gefner, de origem israelense, conhecida pela casca mais fina e maior proporção de polpa, mas sensível ao escurecimento; e a Thompson, de origem norte-americana, com casca mais grossa e maior resistência ao manuseio e transporte. O avanço tecnológico na produção também tem sido fundamental, com o uso de plantas enxertadas em porta-enxertos como o araticum, que proporcionam maior uniformidade e resistência às plantas, resultando em pomares menos sujeitos a falhas.

Potencial nutricional e exportação

Além de suas qualidades organolépticas e comerciais, a atemoia oferece benefícios nutricionais. É fonte de vitamina C, potássio, compostos antioxidantes e carboidratos. No entanto, nutricionistas alertam para o consumo moderado, especialmente por pessoas com diabetes, devido ao seu teor de carboidratos e calorias. As sementes da fruta, assim como em outras anonáceas, não devem ser ingeridas, pois contêm compostos que podem ser prejudiciais à saúde.

Embora o consumo interno seja o principal motor do mercado de atemoia, as exportações também mostram um potencial crescente. Dados da Abrafrutas indicam que o grupo de anonas, que inclui a atemoia, gerou US$ 4,46 milhões em exportações em 2025, com o Canadá, Reino Unido e Estados Unidos como principais destinos. Apesar de ainda ser um volume modesto em comparação com o mercado interno, a presença da atemoia em mercados internacionais sinaliza seu reconhecimento global.

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