Avanço devastador do Bavi mobiliza autoridades e moradores no Leste Asiático
O tufão Bavi tocou terra na cidade costeira de Taizhou, na província de Zhejiang, leste da China, na noite de sábado (11), forçando a retirada de cerca de 2 milhões de pessoas de suas casas. Apesar de perder força ao atingir o continente, a tempestade ainda representa um risco significativo devido aos ventos de até 144 km/h e a uma vasta área de chuva, comparável à extensão da França.
A passagem do Bavi já deixou um rastro de destruição e vítimas em outras regiões. No arquipélago japonês de Sakishima, no sul do país, e próximo a Taiwan, 113 pessoas ficaram feridas. Nas Filipinas, o tufão foi ainda mais letal, ceifando a vida de 17 pessoas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela mídia estatal Xinhua e outras agências de notícias internacionais.
Um ano de tempestades intensas na China
O Bavi é o segundo tufão a atingir a China em um curto intervalo de tempo, com ambos chegando ao território chinês com cerca de uma semana de diferença. O tufão anterior, que impactou a ilha de Hainan, no sul do país, perdeu força ao chegar ao continente, mas contribuiu para chuvas intensas que desencadearam inundações fatais. Ao menos 39 pessoas morreram e nove permanecem desaparecidas em decorrência dessas inundações, sendo 26 mortes atribuídas ao rompimento da represa de Liulan, na província de Guangxi. As autoridades ainda trabalham na identificação das vítimas e na apuração de possíveis sobreposições entre os números de mortos e desaparecidos.
Esforços de prevenção e assistência em andamento
Em antecipação aos danos causados pelo tufão, Pequim mobilizou recursos, enviando cerca de 50 mil itens de ajuda humanitária para as províncias de Zhejiang e Fujian. Os suprimentos incluem camas dobráveis, cobertores e kits de emergência familiar. O líder chinês, Xi Jinping, enfatizou a necessidade de concentrar todos os esforços no resgate, tratamento dos feridos e reassentamento das pessoas afetadas, com o objetivo de minimizar perdas e prevenir desastres secundários.
A evacuação em Zhejiang, onde fica Taizhou, atingiu mais de 1,7 milhão de pessoas. Outras 100 mil foram retiradas de áreas de risco em Fujian e Pequim, e aproximadamente 34 mil deixaram suas casas em Xangai. Moradores como Huang Xinghuan, de 50 anos, expressam uma mistura de preocupação e resiliência: “Estou um pouco preocupado, mas acho que vai ficar tudo bem. Já passamos por tufões antes e vamos superar este também”, disse ele, enquanto fazia compras em um mercado tradicional antes de seu fechamento.
Taiwan adota medidas preventivas e paralisa atividades
Em Taiwan, o governo retirou mais de 14 mil pessoas, majoritariamente de áreas montanhosas, e suspendeu parte das atividades diante da aproximação do Bavi pelo norte. Embora a ilha não tenha sido diretamente atingida, medidas preventivas foram adotadas devido à previsão de até um metro de chuva em algumas regiões. A paralisação incluiu o cancelamento de 920 voos internacionais, impactando o principal aeroporto internacional de Taiwan, em Taoyuan, e todos os 282 voos domésticos. Quase todas as cidades e condados decretaram feriado, com o fechamento de repartições públicas e escolas. A principal linha ferroviária de alta velocidade manteve a operação, mas com redução de viagens.
Mesmo com as fortes rajadas de vento e chuva, algumas pessoas em Taipé mantinham suas rotinas. “Está tudo bem, não é tão grave assim. Só está ventando um pouco mais”, comentou Yeh Mao-hsiung, 68 anos, durante sua caminhada matinal. No entanto, no bairro de Beitou, rajadas próximas a 100 km/h derrubaram árvores e causaram o transbordamento de rios.
