Ministro do STF flexibiliza prisão de ex-gestor de Belford Roxo
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu conceder liberdade provisória ao ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), Márcio Canella (União Brasil). Canella havia sido preso em flagrante pela Polícia Federal na última terça-feira (7), durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, após a apreensão de um fuzil calibre 5,56 em um veículo de sua propriedade. A decisão, proferida na sexta-feira (10), estabelece uma série de medidas cautelares em substituição à prisão.
Entre as medidas impostas a Canella estão o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar no período noturno e nos fins de semana, a obrigatoriedade de comparecer semanalmente ao Juízo da Execução Penal do Rio de Janeiro, a proibição de deixar o país e a entrega de seu passaporte. Além disso, todos os seus documentos de porte de arma e registros como CAC (colecionador, atirador desportivo e caçador) foram suspensos. O descumprimento de qualquer uma dessas determinações poderá levar à revogação da liberdade provisória e à decretação da prisão preventiva.
A prisão ocorreu durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão autorizado pelo STF. Segundo a Polícia Federal, a descoberta do fuzil em seu carro motivou a autuação em flagrante por posse ou guarda de arma de fogo de uso restrito. A defesa de Canella argumentou que a arma pertencia a um policial militar responsável por sua segurança e que estaria regularmente cedida pela Polícia Militar do Rio de Janeiro, apresentando documentos que comprovariam a cautela funcional do armamento pelo policial.
Dúvidas sobre a posse da arma e atuação policial
Apesar da argumentação da defesa, Alexandre de Moraes destacou que ainda existem dúvidas relevantes sobre as circunstâncias do caso. O ministro considerou que, neste momento, as medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento das investigações. Ele ressaltou que a prisão em flagrante foi considerada legal na audiência de custódia, mas que a substituição por medidas alternativas é cabível conforme o Código de Processo Penal.
Moraes também apontou questionamentos sobre a regularidade da posse da arma e os motivos pelos quais o fuzil estava armazenado no veículo do ex-prefeito. O ministro ainda levantou suspeitas sobre a legalidade da atuação de outro investigado, o policial militar Antônio Gomes da Silva Neto, que também foi beneficiado com a liberdade provisória e estaria exercendo funções de segurança privada com armamento da corporação. Por esse motivo, o STF determinou que a Polícia Militar do Rio de Janeiro apresente, em até cinco dias, esclarecimentos sobre as armas apreendidas e a situação funcional dos dois policiais envolvidos.
Operação investiga lavagem de dinheiro e organização criminosa
A prisão de Márcio Canella ocorreu no contexto da sexta fase da Operação Unha e Carne, que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. As investigações apontam para a movimentação de aproximadamente R$ 7,6 bilhões pelo grupo, com a possível participação de agentes públicos. A Polícia Federal investiga o ex-prefeito como um dos elos políticos da suposta organização criminosa.
Márcio Canella administrou Belford Roxo entre 2025 e abril de 2026, quando renunciou ao cargo para concorrer a uma vaga no Senado Federal. Anteriormente, ele cumpriu três mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro e, segundo informações, estaria negociando sua filiação à chapa do senador Flávio Bolsonaro para as eleições deste ano. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Supremo Tribunal Federal e pela Polícia Federal.
