Cientistas criam célula sintética que se alimenta, cresce e se reproduz
Cientistas criam célula sintética que se alimenta, cresce e se reproduz

Cientistas criam célula sintética que se alimenta, cresce e se reproduz

Cientistas anunciam o desenvolvimento da SpudCell, uma célula sintética capaz de realizar funções vitais Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (1º) a criação de uma célula sintética, batizada de SpudCell, que exibe características fundamentais da vida: ela se alimenta, cresce e se reproduz. A inovação representa um […]

Resumo

Cientistas anunciam o desenvolvimento da SpudCell, uma célula sintética capaz de realizar funções vitais

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, anunciou nesta quarta-feira (1º) a criação de uma célula sintética, batizada de SpudCell, que exibe características fundamentais da vida: ela se alimenta, cresce e se reproduz. A inovação representa um avanço significativo na área da biologia sintética, permitindo a exploração de questões sobre a natureza da vida e o desenvolvimento de novas tecnologias.

A líder da pesquisa, a bióloga Kate Adamala, ressalta a complexidade em definir a SpudCell como “viva”, afirmando que “a vida não é binária”. Ela explica que não existe uma linha clara que separe o que é vivo do que não é, e que a SpudCell, embora fabricada, “faz o que as células fazem”, segundo o biólogo Drew Endy, da Universidade Stanford.

O trabalho, que está em processo de análise para publicação em uma revista científica, é considerado impressionante por outros especialistas na área. John Glass, do Instituto J. Craig Venter, que não participou do estudo, elogiou a capacidade da célula de “reunir tudo isso”. Em vez de buscar o patenteamento, Adamala e Endy estão fomentando uma comunidade científica dedicada ao desenvolvimento e adaptação da SpudCell para novos experimentos, com a fundação de uma organização de pesquisa sem fins lucrativos que prevê investimentos de centenas de milhões de dólares na próxima década.

O caminho para a célula sintética

A criação da SpudCell envolveu a combinação de dezenas de ingredientes, incluindo cerca de cem tipos de proteínas e moléculas simples essenciais para reações químicas, como a produção de novas proteínas a partir de genes. Foram selecionados 36 genes emprestados de vírus e da bactéria Escherichia coli, responsáveis por funções básicas como a cópia de DNA.

O processo de fabricação incluiu a criação de um caldo molecular, ao qual foram adicionados os blocos de construção de membranas. Estes se organizaram espontaneamente em bolhas, encapsulando a mistura de genes, proteínas e outras moléculas. Muitas dessas bolhas passaram a realizar reações químicas observadas em células naturais, alimentando-se de moléculas menores absorvidas por canais em suas superfícies e de outras bolhas maiores que se fundiam a elas.

Uma vez alimentadas e crescidas, as SpudCells apresentaram a capacidade de divisão. Os cientistas introduziram uma proteína especial que forçou a curvatura e a posterior divisão das células. O ciclo de alimentação, crescimento e reprodução foi observado em poucas horas.

Capacidade de evolução e futuras aplicações

Um dos aspectos mais notáveis da SpudCell é sua capacidade rudimentar de evoluir. Em um experimento, cientistas criaram uma versão mutante que se ligava com mais força a bolhas de alimento. Ao competir com as SpudCells originais, as mutantes demonstraram superioridade, indicando um potencial para a evolução por seleção natural em ambientes controlados. Isso sugere que múltiplas células sintéticas poderão ser colocadas em competição para desenvolver rapidamente versões mais sofisticadas.

Apesar das conquistas, a SpudCell ainda possui limitações, como a incapacidade de produzir ribossomos (as fábricas de proteínas) e a necessidade de uma dieta especial para sobreviver por algumas gerações. No entanto, os cientistas vislumbram um futuro promissor para as células sintéticas. Elas podem levar a descobertas fundamentais sobre os requisitos mínimos para a vida e ser projetadas para funções que células naturais não conseguem, como a produção de novos medicamentos, a captura de dióxido de carbono da atmosfera, ou até mesmo a fabricação de substâncias químicas complexas.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.

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