Do Laboratório ao Cinema: A Jornada Conturbada do LSD
Do Laboratório ao Cinema: A Jornada Conturbada do LSD

Do Laboratório ao Cinema: A Jornada Conturbada do LSD

A Dualidade do Ácido Lisérgico na Tela A trajetória do LSD, de promissor agente terapêutico a substância estigmatizada, é fielmente retratada em dois filmes produzidos com cerca de oito anos de diferença. “Imagens do Mundo Visionário” (1963), encomendado pela farmacêutica Sandoz, e “Acid” (1971), fruto de uma colaboração envolvendo a mesma empresa, oferecem um vislumbre […]

Resumo

A Dualidade do Ácido Lisérgico na Tela

A trajetória do LSD, de promissor agente terapêutico a substância estigmatizada, é fielmente retratada em dois filmes produzidos com cerca de oito anos de diferença. “Imagens do Mundo Visionário” (1963), encomendado pela farmacêutica Sandoz, e “Acid” (1971), fruto de uma colaboração envolvendo a mesma empresa, oferecem um vislumbre da complexa relação da sociedade com o psicodélico.

O primeiro documentário, dirigido pelo artista belgo-francês Henri Michaux, propunha-se a capturar em imagens os efeitos subjetivos da mescalina, substância similar ao LSD. Michaux, em uma introdução ao filme, já alertava para a quase impossibilidade de transpor a experiência mental para a tela, que exigiria cores mais vibrantes, ritmos acelerados e uma agressividade visual incomum. O resultado, sem recursos de computação gráfica, limita-se a efeitos visuais rudimentares como pulsos de luz e zoom, distantes da estética psicodélica contemporânea.

A obra de Michaux, reconhecendo suas próprias limitações em retratar a inefabilidade da experiência psicodélica, o sentimento oceânico e a dissolução do ego, serve como um registro de uma tentativa pioneira. O filme, apesar de seu esforço, falha em capturar a totalidade da vivência, um desafio que persiste para cineastas até os dias atuais.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela fonte original.

A Virada Proibicionista e o Uso Terapêutico

O filme “Acid”, de 1971, marca uma significativa guinada na abordagem, refletindo o crescente movimento proibicionista e a declaração de guerra às drogas por Richard Nixon. Nesse contexto, o LSD e a cannabis eram vistos como catalisadores da contracultura, impulsionando uma narrativa de estigmatização.

Apesar de seu viés, o documentário é notável por exibir o valor terapêutico do LSD. Apresenta depoimentos de figuras como Stan Grof e resultados promissores no tratamento do alcoolismo, com uma taxa de abstinência significativa entre os voluntários um ano após a terapia psicodélica. Contudo, o filme também explora depoimentos negativos de usuários, detalhando experiências desagradáveis e viagens ruins, comparando-as a surtos psicóticos e exagerando sua frequência.

O Legado e o Renascimento dos Psicodélicos

Esses documentos históricos são valiosos por demonstrarem o prestígio clínico e cultural que as substâncias psicodélicas já desfrutaram, antes de serem engolidas por uma mentalidade retrógrada. Atualmente, observa-se um novo fascínio por psicodélicos, desta vez impulsionado pela direita, com foco na mitigação do sofrimento psíquico em um mundo acelerado pela inteligência artificial e big data, distanciando-se da promessa emancipatória mantida viva pela contracultura.

Resta aguardar quais narrativas cinematográficas emergirão dessa nova onda, após o recente ressurgimento de séries e documentários que celebram o renascimento de substâncias que, para muitos, nunca deixaram de existir.

Tags:

Veja Também

Lula critica 'banalização' da política e valoriza experiência em detrimento da fama na internet

Lula critica ‘banalização’ da política e valoriza experiência em detrimento da fama na internet

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Pediatria alerta sobre uso de 'canetas emagrecedoras' em crianças e adolescentes

Pediatria alerta sobre uso de ‘canetas emagrecedoras’ em crianças e adolescentes

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo