Psicólogos cristãos denunciam assédio e punições por manifestarem sua fé
Profissionais da psicologia com orientação cristã têm relatado campanhas de assédio e notificações de conselhos profissionais. As denúncias apontam que a fiscalização tem se intensificado após a publicação da Resolução nº 7/2023 do Conselho Federal de Psicologia (CFP), que proíbe a associação do exercício profissional a convicções religiosas. Segundo os profissionais afetados, a norma tem sido utilizada para punir manifestações de fé em redes sociais, mesmo quando feitas fora do contexto de atendimento terapêutico.
A resolução do CFP visa garantir a neutralidade e a laicidade da psicologia, assegurando que o consultório seja um espaço livre de doutrinações religiosas. No entanto, psicólogos cristãos argumentam que a regra está sendo aplicada de forma seletiva e excessiva, afetando sua liberdade de expressão e identidade.
O que diz a Resolução do CFP e como ela impacta os profissionais
A Resolução nº 7/2023 estabelece que o psicólogo não pode associar o atendimento ou a prática profissional a crenças religiosas. O objetivo oficial é manter o consultório como um ambiente imparcial. Contudo, muitos profissionais sentem que a norma está sendo usada para fiscalizar opiniões pessoais expressas em plataformas digitais, o que, para eles, não interfere na conduta ética durante as consultas.
Diante disso, diversos psicólogos relatam o recebimento de notificações oficiais e o que descrevem como um “patrulhamento” por parte de colegas e estudantes. Há relatos de violência psicológica e ameaças online, levando alguns profissionais a cancelar seus registros no conselho para evitar processos éticos. Alguns optam por migrar para áreas como a psicanálise ou terapias que não possuem vínculo direto com o CFP, buscando fugir das sanções.
Críticas à norma e situação jurídica em andamento
A principal crítica dos psicólogos que se sentem perseguidos é que a fé faz parte de sua identidade e história de vida. Eles defendem que expressar essa fé em perfis pessoais não compromete sua atuação ética no consultório. Há também a alegação de que a fiscalização seria seletiva, com posicionamentos políticos ou de outras crenças recebendo menos rigor por parte dos conselhos regionais.
A validade da Resolução nº 7/2023 está em debate no Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril de 2026, o julgamento foi transferido para o plenário físico da Corte, indicando que os ministros discutirão o tema presencialmente. Até o momento, o relator, ministro Alexandre de Moraes, votou a favor da norma, mas a decisão final ainda aguarda os votos dos demais magistrados.
Clima de tensão desde a formação universitária
O clima de hostilidade contra profissionais de fé cristã parece começar ainda durante a formação acadêmica. Estudantes relatam resistência de colegas e professores à declaração de fé ou ao uso de símbolos religiosos, como uma cruz, no ambiente universitário. Alguns alunos já foram denunciados aos conselhos profissionais antes mesmo de concluírem a graduação, devido a conteúdos publicados em suas redes sociais.
