Operação conjunta apreende grande quantidade de entorpecentes em alto mar
Autoridades espanholas realizaram a apreensão de aproximadamente 500 quilos de cocaína em um veleiro que navegava em águas do Atlântico Norte. A embarcação foi interceptada a mais de 640 quilômetros ao sul das Ilhas Canárias, resultando na prisão de três tripulantes: dois brasileiros e um marroquino. A informação foi divulgada pelo Ministério da Fazenda espanhol.
A operação foi conduzida pelo navio de Operações Especiais Petrel I, do Serviço de Vigilância Aduaneira da Agência Tributária espanhola, em colaboração com a Guarda Civil e a Polícia Nacional da Espanha. A interceptação ocorreu em meio a condições climáticas adversas, com ondas de até quatro metros e ventos fortes, o que exigiu dias de vigilância técnica antes da abordagem.
Conforme a Polícia Nacional espanhola, a interceptação fez parte da operação bilateral Pascal-Lino, uma ação conjunta entre o Serviço de Vigilância Aduaneira espanhol e a Receita Federal francesa. Posteriormente, a ação foi integrada à operação Azul, coordenada pela Polícia Judiciária de Portugal a partir do Centro de Análise contra o Narcotráfico Marítimo no Atlântico.
Apoio internacional e desafios na interceptação
A operação contou com um importante apoio internacional, com informações de inteligência fornecidas por serviços do Reino Unido, através da Agência Nacional do Crime, e dos Estados Unidos, por meio da Administração de Repressão às Drogas (DEA). A Frontex, agência europeia de controle de fronteiras, também contribuiu com dados.
O navio Petrel I foi direcionado à área onde o veleiro navegava após o recebimento das informações. A abordagem, no entanto, foi adiada para uma avaliação tática que minimizasse os riscos aos agentes. As condições de mar instável, ventos fortes e neblina impossibilitaram o uso de apoio aéreo e dificultaram a descida de embarcações auxiliares durante a ação, segundo a Agência Tributária espanhola.
Os três detidos, juntamente com a droga apreendida, foram levados ao porto de Las Palmas de Gran Canaria. Um dos brasileiros presos foi identificado como Marcelo Nabuco Zollinger, 36 anos, empresário baiano e sócio de uma empresa de equipamentos hospitalares. Em nota divulgada por seus advogados, Zollinger negou veementemente as acusações, afirmando que os fatos serão esclarecidos durante o processo criminal, que ainda não teve início. A defesa também invocou o princípio da presunção de inocência, mencionando que ainda não teve acesso aos autos da investigação.
