O Perigo Gelado nas Montanhas Brasileiras
Com a chegada da primeira onda de frio do ano, cidades serranas do sul do Brasil registraram temperaturas negativas recordes, atraindo turistas em busca de paisagens gélidas. No entanto, para montanhistas e aventureiros que se preparam para a alta temporada em trilhas como a Transmantiqueira, que atravessa São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, o frio intenso representa um risco real: a hipotermia.
A hipotermia ocorre quando o corpo perde mais calor do que consegue produzir, levando a uma queda da temperatura corporal abaixo de 35°C. É considerada a segunda maior causa evitável de óbitos em ambientes remotos globalmente. Os sintomas iniciais incluem tremores incontroláveis, pele fria e pálida, dormência, falta de coordenação motora, fadiga extrema e dificuldade na fala.
Se não tratada, a condição pode evoluir para sonolência, comportamento irracional – como a remoção de roupas em cenários de frio extremo –, perda de consciência, dilatação das pupilas e, em casos graves, parada cardiorrespiratória. Conforme informações de especialistas e cursos de sobrevivência, a combinação de chuva e vento em pessoas desprevenidas é particularmente perigosa.
Prevenção é a Chave para a Segurança em Trilhas
O médico e montanhista Rodrigo Rodriguez enfatiza que a hipotermia não é um risco restrito a altitudes extremas ou climas gélidos. “A hipotermia pode ocorrer mesmo em climas quentes e temperaturas amenas de 15°C, caso a pessoa seja exposta à água”, explica.
Ele ressalta a importância de nunca subestimar as condições climáticas ao planejar uma trilha. Recomenda-se sempre levar um cobertor de emergência, feito de material metalizado e leve, que pode ser crucial em situações de risco. Além disso, um abrigo contra chuva, como um anorak ou capa, e um agasalho leve são essenciais, mesmo em percursos curtos.
A Escolha Correta do Equipamento
A seleção adequada do saco de dormir é outro fator crítico. Rodriguez aconselha a preferência por sacos certificados e a atenção à temperatura indicada na etiqueta. No entanto, ele sugere não considerar apenas a temperatura limite, mas sim escolher um equipamento que ofereça uma margem de conforto maior. Um saco de dormir com certificação para temperaturas mais baixas que o previsto para a trilha garante uma noite de sono mais segura e reparadora, mesmo que implique em um peso ou custo ligeiramente maiores.
A preparação adequada, o conhecimento dos riscos e a escolha correta de equipamentos são fundamentais para desfrutar das belezas naturais das trilhas brasileiras com segurança, mesmo diante das baixas temperaturas registradas em diversas regiões do país.
