Primeiro caso de ebola diagnosticado em território francês acende alerta sanitário
A França confirmou o primeiro caso de ebola em seu território nacional. O paciente é um médico que retornou recentemente da República Democrática do Congo, país que enfrenta uma grave epidemia do vírus. As autoridades sanitárias francesas informaram que o profissional de saúde foi imediatamente isolado em um hospital, com todas as medidas de precaução adotadas para evitar qualquer risco de contaminação.
A confirmação foi divulgada pelo Ministério da Saúde da França, que acompanha a situação de perto. Este é um marco inédito para o país, que em 2014 acolheu dois pacientes diagnosticados com ebola no exterior durante uma grande epidemia na África Ocidental. Naquela ocasião, casos também foram registrados nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Uma investigação está em curso para identificar e monitorar pessoas que tiveram contato próximo com o médico infectado. Aqueles identificados como contatos próximos serão instruídos a cumprir um período de isolamento domiciliar de 21 dias, conforme protocolo sanitário. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde da França e pela agência AFP.
Contexto da epidemia e avaliação de risco
A República Democrática do Congo tem sido o epicentro de uma epidemia de ebola, uma febre hemorrágica frequentemente fatal. A cepa atual em circulação é a rara Bundibugyo, para a qual não existe tratamento específico. As vacinas disponíveis, desenvolvidas entre 2018 e 2019, são eficazes apenas contra a cepa Zaire, responsável por surtos anteriores.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) já havia alertado sobre a aceleração da transmissão na RDC em meados de junho, apesar dos esforços de resposta sanitária. Até o momento, a epidemia no país africano contaminou mais de mil pessoas e causou centenas de mortes, com a possibilidade de números subestimados devido à dificuldade de acesso a regiões remotas. A OMS declarou a situação uma emergência de saúde pública de importância internacional.
Baixo risco para a Europa, segundo especialistas
Apesar da confirmação do caso na França, especialistas em saúde pública consideram o risco de transmissão do vírus em escala global como baixo. O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) avaliou o risco de infecção para residentes europeus e viajantes para zonas de circulação ativa como baixo, e muito baixo para a população europeia em geral. Isso se deve ao caráter relativamente pouco contagioso do ebola, que exige contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas para sua transmissão.
