Ministério da Saúde e estados buscam expandir uso de canetas emagrecedoras
O Ministério da Saúde, em conjunto com estados e municípios, está explorando caminhos para a inclusão das chamadas “canetas emagrecedoras” no Sistema Único de Saúde (SUS). Uma das principais frentes de análise envolve uma nova avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) sobre o medicamento Wegovy, da farmacêutica Novo Nordisk, que contém semaglutida e é utilizado no tratamento da obesidade.
A farmacêutica apresentou uma nova proposta focada em pacientes com obesidade que já sofreram infarto. Anteriormente, em 2025, um pedido para um público mais amplo foi negado pela Conitec devido ao alto impacto financeiro estimado em até R$ 8 bilhões aos cofres públicos. Na nova tentativa, a Novo Nordisk promete um desconto significativo, passando de 30% para 59% sobre o preço de tabela, e estima atender cerca de 38.598 pacientes anualmente, com um custo entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.
O processo de avaliação pela Conitec tem um prazo de 180 dias, prorrogáveis por mais 90, e incluirá consulta pública. A comissão poderá sugerir recortes mais específicos de público e apresentar seus próprios cálculos sobre o impacto financeiro. A decisão final sobre a incorporação do medicamento caberá ao Ministério da Saúde, após o parecer da Conitec. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e pela Novo Nordisk.
Novas propostas e descontos significativos
Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk, destacou que a nova proposta visa um grupo de pacientes de “altíssimo risco” e oferece um dos “menores preços do mundo” para o produto. A empresa sugere valores entre R$ 396,88 e R$ 764,64 por dose, dependendo da apresentação. A empresa também está em negociações para a produção nacional em parceria com a Fiocruz.
Paralelamente à análise para a rede nacional, governos estaduais e municipais já implementam as canetas emagrecedoras em programas voltados a públicos mais restritos. No Rio de Janeiro, a prefeitura planeja uma das maiores compras públicas, com o objetivo de atender 3.000 pacientes anualmente. A Secretaria Municipal de Saúde assinou uma ata de registro de preço para adquirir até R$ 16 milhões em Wegovy nos próximos 12 meses.
Programas estaduais e municipais em andamento
A introdução do medicamento na rede pública do Rio de Janeiro foi uma promessa de campanha do prefeito Eduardo Paes. Atualmente, cerca de 50 pacientes recebem o medicamento em um protocolo de estudo municipal, com mais de 90% deles apresentando diabetes. Dados preliminares indicam que aproximadamente um terço desses pacientes obteve perda de peso superior a 5% e melhorias no controle da hemoglobina glicada. Renato Cony, subsecretário de Promoção, Atenção Primária e Vigilância em Saúde do município, ressalta a importância da medicação associada a mudanças no estilo de vida.
Outros estados e o Distrito Federal também adotam canetas emagrecedoras. Goiás e o Distrito Federal atualizaram seus protocolos para utilizar a semaglutida, focando em públicos específicos. Em Goiás, o protocolo de março visa jovens de 12 a 21 anos com diagnóstico de obesidade, exigindo acompanhamento multiprofissional e metas de perda de peso. O Distrito Federal prepara a compra de cerca de 1.800 canetas por R$ 1,3 milhão, com o protocolo clínico ainda em elaboração.
O estado do Rio de Janeiro já utiliza a liraglutida, precursora da semaglutida, em cerca de 200 pacientes com obesidade extrema no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (IEDE), com resultados expressivos no controle de peso e glicêmico. A secretaria estadual informou que está em processo de compra da semaglutida.
Estudo em Porto Alegre e o cenário dos medicamentos GLP-1
O Ministério da Saúde acompanhará um estudo em Porto Alegre, envolvendo aproximadamente 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças, no Grupo Hospitalar Conceição (GHC). O objetivo é avaliar a adaptação do tratamento à realidade do SUS.
As canetas emagrecedoras são agonistas de GLP-1, hormônios que atuam no controle da glicose e na saciedade. As principais substâncias são a semaglutida (Ozempic e Wegovy) e a tirzepatida (Mounjaro). Recentemente, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, um análogo de GLP-1 de fabricação nacional, para tratamento de diabetes. Há uma forte pressão para ampliar o acesso e reduzir custos desses medicamentos, mas associações médicas alertam sobre o uso estético ou fora das indicações aprovadas.
O governo federal também avalia a produção das canetas em laboratórios públicos, com parcerias já firmadas para transferência de tecnologia. Conforme informações divulgadas pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa.
