Ex-presidente Jair Bolsonaro confirmou à Polícia Civil ter solicitado o conserto de uma pistola Glock 9mm, apreendida com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz. O depoimento, que durou cerca de cinco minutos, ocorreu na tarde desta terça-feira (23) na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
Segundo o advogado de Bolsonaro, Paulo Cunha Bueno, o ex-presidente apenas pediu ao segurança para avaliar a arma, que não estava funcionando corretamente. A versão reforça o que já havia sido apresentado pela defesa ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Os agentes da Polícia Civil permaneceram na residência por aproximadamente 40 minutos.
O depoimento acontece na véspera do término do período de 90 dias de prisão domiciliar humanitária concedido a Bolsonaro em 24 de março. A arma em questão foi apreendida na noite de segunda-feira (15), quando um agente do GSI foi parado em um bloqueio em Taguatinga, no Distrito Federal. O motorista se identificou e informou que a pistola pertencia ao ex-presidente, tendo sido entregue a ele devido a uma pane, com o objetivo de reparo.
Defesa nega irregularidades e aguarda arquivamento
A defesa de Jair Bolsonaro admitiu o pedido de conserto da pistola, mas negou qualquer vínculo entre a solicitação e o fim do benefício da prisão domiciliar. De acordo com os advogados, a equipe de segurança decidiu remover o percussor da arma, peça essencial para o disparo, após observar que Bolsonaro fazia uso de medicamentos psiquiátricos. A Polícia Militar, por sua vez, reconheceu que veículos de agentes do GSI que atuam na segurança do ex-presidente não são vistoriados, pois permanecem estacionados em via pública.
A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso no dia 17 de abril e obteve autorização de Alexandre de Moraes para ouvir Bolsonaro. O ministro determinou que o depoimento fosse realizado na residência do ex-presidente, devido à proibição de uso de equipamentos eletrônicos por parte dele. A defesa de Bolsonaro solicitou e obteve autorização para acompanhar a oitiva.
Em nota divulgada após o depoimento, o advogado Paulo Cunha Bueno afirmou que Bolsonaro esclareceu todas as questões e que a arma, de sua propriedade e devidamente registrada, deveria estar em seu endereço residencial. Ele reiterou que não houve intenção de descumprir qualquer determinação legal e expressou expectativa de que o inquérito seja arquivado em breve.
