Novo estudo indica ligação entre sono excessivo e perda de mobilidade em idosos do sexo masculino.
Homens idosos que dormem mais de nove horas por noite podem ter um risco aumentado de perda de mobilidade. Uma pesquisa recente acompanhou mais de 3 mil pessoas com 60 anos ou mais e constatou que o padrão de sono prolongado resultou em uma redução significativa na velocidade da marcha ao longo de oito anos, mas apenas no público masculino.
A lentidão da marcha é um indicador importante de saúde e mobilidade em idosos, estando associada a um maior risco de quedas, hospitalização, institucionalização e até mesmo mortalidade. Os resultados, publicados no Journal of the American Medical Directors Association, foram conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e do University College London, no Reino Unido, utilizando dados do Estudo Longitudinal Inglês sobre Envelhecimento (Elsa).
Indivíduos sem problemas preexistentes de marcha foram incluídos na análise. Os homens com mais de 60 anos que relatavam dormir mais de nove horas por noite apresentaram uma perda de até um quarto na velocidade de caminhada. Curiosamente, a insônia ou noites curtas de sono não demonstraram o mesmo impacto na mobilidade masculina, e nenhuma associação entre padrões de sono e mobilidade foi encontrada entre as mulheres participantes.
Fatores hormonais e inflamação podem explicar a relação.
Os pesquisadores sugerem que o sono prolongado em homens idosos deve ser considerado um marcador de risco para a lentidão da marcha. Uma das hipóteses é que, apesar da maior duração, esse sono pode ser mais fragmentado e com menos fases profundas, comprometendo a qualidade. Essa baixa qualidade de sono, mesmo com muitas horas, pode afetar a liberação de testosterona.
A testosterona é um hormônio crucial para a manutenção da massa muscular, especialmente em homens. Sua redução pode acelerar a perda de velocidade na caminhada. Além disso, o sono longo e interrompido está associado à intensificação do “inflammaging”, um processo de inflamação crônica de baixo grau comum no envelhecimento. Essa condição pode degradar as células musculares e reduzir a força e a massa muscular.
No caso das mulheres, o impacto do sono prolongado na mobilidade não foi observado. Os autores atribuem isso a diferenças no perfil hormonal. Enquanto a testosterona tem um papel importante nos homens, em mulheres, outros hormônios como o IGF-1 e o GH (hormônio do crescimento) parecem ser mais relevantes para o anabolismo muscular, minimizando o efeito negativo do sono excessivo.
Sono ideal para idosos e a importância do acompanhamento.
O estudo reforça a ideia de que o padrão de sono tende a mudar com o envelhecimento. Para pessoas idosas, o ideal é dormir entre seis e nove horas por noite. Para adultos mais jovens, a média recomendada é de sete a oito horas.
Dormir mais de nove horas à noite é incomum para idosos, que fisiologicamente tendem a dormir menos e ter mais cochilos diurnos. Esse padrão pode indicar uma vulnerabilidade clínica. Portanto, o sono prolongado emerge como um sinal de alerta específico para homens idosos, sugerindo a necessidade de avaliação e acompanhamento para prevenir a perda de mobilidade e manter a independência na velhice.
