O fenômeno 'Backrooms': Como um terror digital reflete a ansiedade da Geração Z com trabalho e IA
O fenômeno ‘Backrooms’: Como um terror digital reflete a ansiedade da Geração Z com trabalho e IA

O fenômeno ‘Backrooms’: Como um terror digital reflete a ansiedade da Geração Z com trabalho e IA

O cinema de horror encontra a Geração Z Cada geração tem seus medos canalizados para o cinema de horror. Se a geração dos anos 1950 temia a infiltração comunista e a dos anos 1970, a desconfiança nas instituições, a Geração Z encontra no filme “Backrooms” um reflexo de suas próprias ansiedades. Lançado recentemente, o longa-metragem […]

Resumo

O cinema de horror encontra a Geração Z

Cada geração tem seus medos canalizados para o cinema de horror. Se a geração dos anos 1950 temia a infiltração comunista e a dos anos 1970, a desconfiança nas instituições, a Geração Z encontra no filme “Backrooms” um reflexo de suas próprias ansiedades. Lançado recentemente, o longa-metragem transformou um meme viral da internet em um sucesso de bilheteria, atraindo majoritariamente um público jovem.

Com uma arrecadação expressiva de US$ 81 milhões em seu fim de semana de estreia apenas nos Estados Unidos, “Backrooms” cativou espectadores com sua premissa: um arquiteto frustrado descobre uma dimensão alternativa e labiríntica de espaços vazios, ecoando o desconforto de uma geração que vive cada vez mais imersa no mundo digital.

O sucesso do filme se deve, em grande parte, à sua conexão geracional. O diretor Kane Parsons, com apenas 20 anos, é um produto da internet, com um estilo visual influenciado por mídias digitais e videogames. Essa autenticidade ressoa com o público jovem, que se identifica com a obra como um espelho de suas experiências.

Conforme informações divulgadas pelo The New York Times.

Da internet para as telas de cinema

A origem de “Backrooms” remonta a um curta-metragem anônimo criado por Parsons em 2022. Utilizando um software gráfico comum, ele transformou uma imagem inquietante de um escritório dos anos 2000, que já circulava como meme, em um vídeo assustador. O curta, intitulado “The Backrooms (Found Footage)”, acumulou mais de 80 milhões de visualizações, chamando a atenção da produtora A24, conhecida por seu cinema independente refinado.

A A24, percebendo o potencial da obra e sua conexão com a Geração Z, contratou Parsons para dirigir uma versão longa-metragem. O filme se aprofunda na estética perturbadora de espaços abandonados e labirínticos, temas que já assombravam a imaginação dos jovens online, como shoppings desativados e escritórios vazios.

A estrutura labiríntica do filme, embora um arquétipo clássico da civilização ocidental, ganha um novo significado para a juventude contemporânea. “Os filmes de horror sempre tomam a forma do mundo em que são feitos e canalizam ansiedades e traumas específicos daquela era”, explica Adam Lowenstein, diretor do Centro de Estudos de Horror da Universidade de Pittsburgh.

Ansiedade com o futuro do trabalho e a ascensão da IA

Em “Backrooms”, o protagonista se perde em espaços que lembram escritórios desorientados, sugerindo um algoritmo distorcido e uma realidade gamificada. Essa ambientação levou muitos espectadores a interpretar o filme como um comentário sobre a inteligência artificial e o excesso de conteúdo perturbador gerado online. “Nossa geração está muito assustada com a IA”, afirma Sydney Andrews, 23 anos, designer de produção.

O próprio diretor Parsons expressou preocupação com a IA, descrevendo-a como “genuinamente prejudicial” e desejando que a tecnologia generativa pudesse “desaparecer para sempre”. No entanto, ele também reconhece a influência de videogames como “Portal 2” e “Minecraft” em sua obra, com o termo “clipping” no filme sendo uma gíria gamer para atravessar objetos sólidos.

A sensação de estar preso em um labirinto em constante expansão ressoa profundamente com a experiência da Geração Z, que passou anos em isolamento durante a pandemia de Covid-19, vivenciando o mundo através de camadas de mediação digital. O trabalho digital, especialmente a criação de conteúdo, é visto como um campo de batalha darwiniano, muitas vezes a única perspectiva de emprego imaginável para essa geração.

“É uma geração para quem o próprio trabalho é uma perspectiva muito desconcertante, perturbadora e assustadora”, comenta Lowenstein. Em “Backrooms”, a linha entre vida pessoal e profissional se torna indistinta, com o protagonista dormindo em sua loja e os espaços alternativos misturando elementos de escritório com decoração doméstica.

A fuga do algoritmo

A trajetória de Parsons, de criador anônimo a diretor de Hollywood, reflete uma fuga do labirinto digital para o mundo real, uma aspiração que muitos jovens compartilham. “Esses limiares e backrooms falam sobre o desejo de poder atravessar uma porta e mudar de vida”, observa James Francis, professor de inglês.

O filme também expõe uma visão sombria dos jovens no ambiente de trabalho. Enquanto o protagonista sonha com realizações profissionais, seus funcionários mais jovens são retratados como apáticos e sem ambição, aceitando trabalhos por hora como produtores de conteúdo ou assistentes em missões perigosas.

“Existe um medo e uma ansiedade diante da ideia de viver uma vida algorítmica em vez de uma vida individual”, conclui Francis, destacando o medo de uma existência sem agência, ditada por algoritmos em vez de escolhas pessoais.

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