O primeiro passo para controlar o tempo de tela, segundo especialistas
O primeiro passo para controlar o tempo de tela, segundo especialistas

O primeiro passo para controlar o tempo de tela, segundo especialistas

Autoconsciência é a chave para gerenciar o uso excessivo de smartphones A familiar cena de pegar o celular para uma consulta rápida e acabar perdendo uma hora rolando o feed é mais comum do que se imagina. Um relatório recente aponta que mais de um terço do tempo gasto em smartphones ocorre sem um propósito […]

Resumo

Autoconsciência é a chave para gerenciar o uso excessivo de smartphones

A familiar cena de pegar o celular para uma consulta rápida e acabar perdendo uma hora rolando o feed é mais comum do que se imagina. Um relatório recente aponta que mais de um terço do tempo gasto em smartphones ocorre sem um propósito definido. Especialistas alertam que essa imersão na tecnologia, muitas vezes, não é fruto de escolhas conscientes, mas sim da própria natureza dos dispositivos.

Apesar da crescente conscientização sobre os efeitos negativos do uso excessivo de dispositivos, muitas pessoas enfrentam dificuldades para gerenciar o tempo online. Ferramentas para controle de tempo de tela existem, mas a falta de motivação para utilizá-las é um obstáculo comum. A pesquisa, realizada no Reino Unido e com dados comparativos para o Brasil, revela que a média de uso diário de smartphones pode ultrapassar quatro horas, sendo uma parcela significativa desse tempo gasta de forma não intencional.

No Brasil, o cenário não é diferente. Dados de 2026 indicam um uso médio semanal de dispositivos conectados à internet de 53 horas e 30 minutos. O problema se agrava quando o uso sem propósito está associado a experiências negativas, como sentir-se pior após o uso ou ser exposto a conteúdos prejudiciais.

O erro humano na estimativa do tempo de tela

Especialistas como Pete Etchells, professor de psicologia e comunicação científica da Universidade Bath Spa, ressaltam que a autopercepção do tempo gasto em dispositivos pode ser imprecisa. Estudos demonstram que as estimativas autodeclaradas frequentemente superestimam o uso real quando comparadas a medições objetivas. Essa imprecisão pode distorcer a correlação entre o tempo de tela e o bem-estar.

No entanto, Etchells considera o relatório “Age of Autopilot” valioso por indicar um aumento na consciência das pessoas sobre seus próprios hábitos digitais. O reconhecimento de quando o uso do celular é não intencional ou desnecessário é visto como um passo fundamental para o controle. É importante notar que nem todo uso de celular é prejudicial; o foco deve ser identificar situações onde ele pode levar a comportamentos de risco, como o uso durante a direção.

Rumo a um uso mais equilibrado e consciente

Netta Weinstein, da Universidade de Reading, sugere que não se deve julgar excessivamente o tempo gasto rolando a tela sem um objetivo claro, pois para alguns, essa atividade pode oferecer relaxamento ou conexão social. A questão crucial é se essa experiência nos deixa renovados ou se, ao final, nos sentimos indiferentes ou pior.

Os especialistas também apontam o design dos smartphones como um fator influente nos nossos hábitos. A ativação padrão de notificações, por exemplo, é criticada por não priorizar o bem-estar do usuário. Desativar notificações não essenciais e buscar atividades desconectadas do mundo digital são estratégias recomendadas para recuperar o controle.

O objetivo final, segundo Eleanor Drage, pesquisadora sênior da Universidade de Cambridge, é tornar o uso de dispositivos “gerenciável” e capacitar as pessoas a terem mais influência sobre o design da tecnologia. Em vez de demonizar os smartphones, a meta é encontrar formas positivas de utilizá-los, mantendo a conexão de maneira saudável e intencional. A pesquisa continuará explorando os impactos da inteligência artificial generativa no uso de dispositivos.

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