STJ adia decisão sobre disputa de R$ 260 milhões em ações da Ambev ligada a conflito da Segunda Guerra
STJ adia decisão sobre disputa de R$ 260 milhões em ações da Ambev ligada a conflito da Segunda Guerra

STJ adia decisão sobre disputa de R$ 260 milhões em ações da Ambev ligada a conflito da Segunda Guerra

Disputa centenária sobre ações da Ambev chega ao STJ O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou novamente o julgamento de uma batalha judicial que se arrasta há mais de oitenta anos. No centro do conflito estão a União e a empresa alemã de navegação F. Laeisz, que disputam a titularidade de 74.211.825 ações da antiga […]

Resumo

Disputa centenária sobre ações da Ambev chega ao STJ

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) adiou novamente o julgamento de uma batalha judicial que se arrasta há mais de oitenta anos. No centro do conflito estão a União e a empresa alemã de navegação F. Laeisz, que disputam a titularidade de 74.211.825 ações da antiga Cervejaria Brahma, hoje incorporada à Ambev.

A origem da disputa remonta à Segunda Guerra Mundial. Em 1942, em resposta aos ataques nazistas a navios brasileiros, o governo de Getúlio Vargas determinou o bloqueio de bens de cidadãos e empresas do Eixo. O objetivo era assegurar futuras indenizações de guerra, e as ações da F. Laeisz foram incluídas nesse confisco.

A principal controvérsia jurídica reside em definir se a retenção estatal foi uma garantia temporária ou uma transferência definitiva de propriedade. Com o fim do conflito, abriu-se a possibilidade de restituição de bens, mas a União alega que a empresa alemã perdeu os prazos legais para solicitar a devolução.

Conforme informações divulgadas pelo portal Jota, a União formalizou a transferência da titularidade das ações para o Estado em 2016, com base na alegação de perda de prazos pela F. Laeisz. Embora a empresa alemã tenha obtido uma liminar favorável em instâncias inferiores, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) manteve a decisão em favor da União.

Dividendos acumulados e novas ações

A disputa também abrange os lucros gerados pelas ações ao longo do tempo. A F. Laeisz entrou com uma nova ação exigindo os dividendos acumulados, argumentando que o bloqueio de 1942 era apenas uma medida cautelar e não anulava sua condição de acionista.

Inicialmente, a Justiça de primeira instância deu razão à empresa alemã. No entanto, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) reverteu essa decisão, reiterando que os prazos para reivindicação haviam expirado.

O peso financeiro da decisão no STJ

O caso agora será analisado pela Primeira Turma do STJ e carrega um vultoso peso financeiro. A Ambev, que atua como mera guardiã dos valores, estima que o montante retido em dividendos ultrapasse R$ 260 milhões, sem contar juros. A companhia aguarda a definição judicial desde 2018 para saber a quem deve repassar os valores.

O julgamento estava previsto para o dia 16 de abril, mas acabou não sendo realizado. A decisão final do STJ deverá encerrar uma das mais antigas disputas societárias em tramitação no Brasil.

Tags:

Veja Também

Entidades pedem maior controle sobre 'big techs' para proteger crianças e adolescentes

Entidades pedem maior controle sobre ‘big techs’ para proteger crianças e adolescentes

Janja repudia falas de Renan Santos em debate e o acusa de misóginia

Janja repudia falas de Renan Santos em debate e o acusa de misóginia

ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados de menores

ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de dados de menores

Lula propõe 'Desenrola' para clubes de futebol endividados

Lula propõe ‘Desenrola’ para clubes de futebol endividados

Anvisa cancela registro de Elevidys, terapia de R$ 20 milhões para Duchenne

Anvisa cancela registro de Elevidys, terapia de R$ 20 milhões para Duchenne