Colombia se prepara para decidir seu futuro em um clima de exaustão e divisão social.
A Colômbia chega a mais um turno eleitoral em meio a um cenário de profunda polarização e exaustão popular. A curta distância entre o primeiro e o segundo turno, menos de um mês, intensificou um debate marcado por mensagens de ódio e a dificuldade em encontrar um diálogo construtivo, segundo relatos de cidadãos.
Essa clivagem social se tornou evidente no primeiro turno, quando o candidato apoiado pelo atual presidente Gustavo Petro, o esquerdista Iván Cepeda, ficou atrás de Abelardo de la Espriella, um representante da ultradireita. Pesquisas recentes indicam que essa tendência se mantém, com Espriella à frente, refletindo um padrão observado em outros países da região.
A dinâmica da eleição colombiana deste ano remete a outros pleitos recentes na América Latina, onde a população se encontra dividida entre apoiar um candidato e se horrorizar com a possibilidade de o adversário vencer. No entanto, para a Colômbia, este cenário é inédito, especialmente considerando o histórico de violência política que dizimou lideranças de esquerda no passado.
Conforme informações divulgadas pela imprensa colombiana.
A ascensão de discursos anti-sistema e a estratégia de Espriella
A campanha de Abelardo de la Espriella tem se apoiado em uma retórica de confronto, posicionando-se como um outsider contra a “casta política” tradicional, ecoando estratégias de figuras como Javier Milei na Argentina, Nayib Bukele em El Salvador, Jair Bolsonaro no Brasil e Donald Trump nos Estados Unidos.
Essa abordagem, que busca capitalizar a desconfiança em relação à classe política, muitas vezes desgastada por escândalos de corrupção e promessas não cumpridas, tem sido eficaz em mobilizar parte do eleitorado. Espriella promete combater aqueles que, segundo ele, “vivem às custas do Estado”.
No entanto, o candidato da ultradireita também enfrenta questionamentos sobre seu próprio histórico. Como advogado, defendeu figuras controversas, incluindo paramilitares e o empresário Alex Saab, ligado ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Além disso, conta com o apoio de figuras influentes da política tradicional, como Fuad Char.
Angelica Bernal-Olarte, professora da Escola Superior de Administração Pública da Colômbia, descreve a campanha de Espriella como uma réplica de modelos populistas de direita, onde o candidato se apresenta como um “jogador independente” fora dos partidos tradicionais.
Iván Cepeda: a busca por justiça e a calma em meio ao embate
Em contrapartida, Iván Cepeda representa uma trajetória política distinta. Sua carreira é marcada pela luta por justiça para as vítimas do conflito armado colombiano, uma causa que abraçou após o assassinato de seu pai, um senador de esquerda, em 1994.
Conhecido por sua serenidade e discurso ponderado, Cepeda tem tido dificuldades em se destacar em um pleito dominado pela emoção e pela retórica inflamada de seu adversário. Enquanto Espriella adota uma postura confrontadora, chegando a chamar oponentes de “criminosos” e “narcoterroristas”, Cepeda tende a apresentar discursos mais elaborados.
Após o primeiro turno, a campanha de Cepeda buscou alianças e flexibilizou algumas propostas iniciais, como a convocação de uma Assembleia Constituinte, em um esforço para unificar o campo progressista contra o que considera uma ameaça “retrógrada e autoritária” representada por Espriella.
Apesar de seus esforços, Cepeda não obteve grande sucesso em atrair o apoio de outros candidatos derrotados no primeiro turno, muitos dos quais se alinharam a Espriella. A estratégia de ambos os candidatos agora se consolida, e o resultado será definido nas urnas.
Propostas divergentes e o futuro da Colômbia
Enquanto a campanha de Cepeda foca na busca por unidade e na crítica ao que considera um retrocesso, as propostas de Espriella permanecem firmes em seu plano de governo. Ele defende a construção de megapresídios, a desarticulação de instituições criadas pelo Acordo de Paz de 2016 com as Farc e a exploração de combustíveis fósseis por meio do fraturamento hidráulico.
A professora Angelica Bernal-Olarte observa que Espriella parece confiante após sua vitória no primeiro turno, sem grandes esforços para expandir seu apoio. A eleição deste domingo se apresenta, portanto, como um teste para a eficácia de cada estratégia política em um país profundamente dividido.
Conforme informações divulgadas pela imprensa colombiana.
