Dormir com a luz acesa aumenta em até 56% o risco de doenças cardíacas, aponta estudo
Dormir com a luz acesa aumenta em até 56% o risco de doenças cardíacas, aponta estudo

Dormir com a luz acesa aumenta em até 56% o risco de doenças cardíacas, aponta estudo

Luz noturna: um inimigo silencioso do coração Dormir em ambientes iluminados, mesmo que levemente, pode representar um risco significativo para a saúde cardiovascular. Uma pesquisa recente, publicada no periódico Jama Network Open, analisou dados de quase 89 mil adultos com mais de 40 anos e encontrou uma forte associação entre a exposição à luz durante […]

Resumo

Luz noturna: um inimigo silencioso do coração

Dormir em ambientes iluminados, mesmo que levemente, pode representar um risco significativo para a saúde cardiovascular. Uma pesquisa recente, publicada no periódico Jama Network Open, analisou dados de quase 89 mil adultos com mais de 40 anos e encontrou uma forte associação entre a exposição à luz durante a noite e o desenvolvimento de doenças cardíacas.

Os resultados da investigação, baseada em dados do UK Biobank, um extenso levantamento nacional do Reino Unido, indicam que indivíduos que dormem em quartos mais claros possuem uma probabilidade maior de sofrer com problemas cardiovasculares em comparação com aqueles que optam por ambientes escuros. A pesquisa acompanhou os participantes por cerca de oito anos, utilizando sensores de pulso para medir a luminosidade real dos seus ambientes de sono.

Os achados são expressivos: o risco de insuficiência cardíaca aumentou em 56%, o de infarto em 47%, e o de doença arterial coronariana, fibrilação atrial e acidente vascular cerebral (AVC) em 30%. Esses números, considerados surpreendentes por especialistas, transformam uma antiga suspeita em uma evidência robusta sobre os perigos da luz noturna para a saúde.

O mecanismo por trás do risco cardiovascular

A cardiologista Juliana Soares, do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que a luz noturna interfere diretamente no ritmo circadiano, o nosso “relógio” biológico interno que regula funções essenciais do corpo ao longo do dia e da noite. A exposição à luz no período em que o organismo deveria estar em repouso suprime a produção de melatonina, o hormônio que sinaliza a necessidade de sono.

Sem o sinal da melatonina, o corpo tende a manter o sistema nervoso simpático ativado, como se estivesse em estado de alerta. Esse desequilíbrio impede a queda natural da pressão arterial durante o sono e mantém a frequência cardíaca elevada. Com o tempo, essa condição pode levar a um estado inflamatório crônico e a uma sobrecarga no sistema cardiovascular.

Um fator de risco independente

O estudo ressalta que o aumento do risco cardiovascular associado à luz noturna permaneceu mesmo após o ajuste de outros fatores de risco conhecidos, como dieta, atividade física e duração do sono. Isso sugere que a iluminação inadequada atua como um fator de risco independente, somando-se a outros hábitos de vida.

“Mesmo que a pessoa se alimente bem, se exercite e durma a quantidade adequada de horas, ela ainda pode estar prejudicando o coração se dorme em um ambiente iluminado”, afirma Soares. Ela destaca que a luz noturna não afeta apenas a quantidade de sono, mas principalmente a sua qualidade.

Diversas fontes de luz podem ser prejudiciais, incluindo a luz do teto, televisões ligadas, abajures, luzes de aparelhos eletrônicos e a luminosidade que entra pela janela. As telas de dispositivos eletrônicos, em particular, são apontadas como grandes vilãs devido à intensidade e ao tipo de luz que emitem.

Vulnerabilidade em grupos específicos

A pesquisa também observou um impacto mais acentuado entre os adultos mais jovens do grupo estudado (próximos aos 40 anos) e entre as mulheres. No caso feminino, a maior sensibilidade pode estar relacionada a interações hormonais, com o sistema circadiano parecendo ser mais suscetível a interferências externas, possivelmente pela influência do estrogênio.

Já nos mais jovens, a maior transparência do cristalino do olho facilitaria a entrada de luz, especialmente a luz azul, intensificando essa sensibilidade. É importante notar que, por ser um estudo observacional, ele não estabelece uma relação direta de causa e efeito, mas oferece dados valiosos para a revisão de hábitos diários.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam evitar o uso de telas antes de dormir, retirar aparelhos eletrônicos do quarto, utilizar cortinas blackout e, se necessário, máscaras oculares. Pessoas com condições preexistentes como hipertensão, doenças cardiovasculares ou que trabalham em turnos, que já possuem um organismo mais vulnerável ou com o ciclo circadiano desregulado, devem ter atenção redobrada.

Tags:

Veja Também

Itapema assume liderança do metro quadrado mais caro do Brasil e ultrapassa Balneário Camboriú

Itapema assume liderança do metro quadrado mais caro do Brasil e ultrapassa Balneário Camboriú

Brasil atrai investimento estrangeiro recorde, mas gargalos internos limitam avanço

Brasil atrai investimento estrangeiro recorde, mas gargalos internos limitam avanço

Higiene bucal: mais do que escovar, cuidados essenciais para dentes saudáveis

Higiene bucal: mais do que escovar, cuidados essenciais para dentes saudáveis

Magreza extrema após os 40: um risco crescente para a saúde feminina

Magreza extrema após os 40: um risco crescente para a saúde feminina

Sindicalistas pressionam Alcolumbre por votação da PEC que extingue escala 6x1 no Senado

Sindicalistas pressionam Alcolumbre por votação da PEC que extingue escala 6×1 no Senado