A Ciência por Trás do Gramado Perfeito para a Copa do Mundo
A Ciência por Trás do Gramado Perfeito para a Copa do Mundo

A Ciência por Trás do Gramado Perfeito para a Copa do Mundo

O Sonho Verde da Copa do Mundo 2026 Enquanto o mundo se prepara para a Copa do Mundo de 2026, com seus 39 dias de duração, 48 seleções, 104 partidas e mais de 1.200 pares de chuteiras em campo, um elemento crucial muitas vezes passa despercebido: o gramado. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) exige […]

Resumo

O Sonho Verde da Copa do Mundo 2026

Enquanto o mundo se prepara para a Copa do Mundo de 2026, com seus 39 dias de duração, 48 seleções, 104 partidas e mais de 1.200 pares de chuteiras em campo, um elemento crucial muitas vezes passa despercebido: o gramado. A Federação Internacional de Futebol (Fifa) exige que todas as partidas sejam disputadas em grama natural, e para o torneio de 2026, que abrange 16 estádios em três países com climas variados, garantir a uniformidade e a qualidade desses campos é um desafio monumental.

O objetivo é que a experiência de jogo, incluindo o quique da bola, o movimento dos jogadores e a sensação geral do campo, seja consistente em todos os locais. Para alcançar essa meta, a Fifa montou uma equipe de especialistas em gramados, liderada por John Sorochan, da Universidade do Tennessee, e John Rogers, da Universidade Estadual do Michigan, que trabalham desde 2018 para concretizar o “sonho verde”.

Essa busca pelo gramado ideal envolve uma profunda compreensão das diferentes espécies de grama, suas características de crescimento, necessidades de umidade e como elas reagem ao impacto das chuteiras e à trajetória da bola. A Fifa também estabelece rigorosos padrões de desempenho para os campos, garantindo que eles atendam a critérios específicos de rolagem e quique da bola.

Conforme informações divulgadas pela Fifa, a complexidade logística de manter a qualidade do gramado em 16 estádios, alguns com cobertura e outros em diferentes condições climáticas, tem sido o principal desafio. A pesquisa e o desenvolvimento de novas técnicas de cultivo e manutenção são essenciais para garantir que os atletas possam atuar no seu melhor nível.

Ciência e Tecnologia em Campo

A escolha da grama ideal é um processo científico. Existem dezenas de espécies, cada uma com propriedades distintas. Gramas de clima frio, como a azul do Kentucky, adaptam-se a baixos níveis de luz, enquanto gramas de clima quente, como a das Bermudas, necessitam de sol pleno. O azevém perene, por sua vez, germina rapidamente, mas é mais suscetível a danos.

Para avaliar como diferentes misturas de grama respondem ao movimento dos jogadores, a equipe desenvolveu o fLEX, um dispositivo portátil com um pé em 3D calçado com chuteira. Este aparelho simula o impacto e o movimento de corte de um jogador de 76 kg, medindo a energia absorvida e devolvida pelo gramado. Essa inovação permite uma avaliação mais precisa da interação entre o atleta e o campo, superando métodos anteriores que se limitavam a testes de queda vertical.

O comportamento da bola também é rigorosamente testado. De acordo com o Manual de Testes de Gramados da Fifa, a bola deve rolar entre cinco e oito metros após ser lançada de uma altura de um metro e quicar entre 60 centímetros e um metro quando solta de dois metros de altura. Esses testes são aplicados em todas as superfícies, independentemente da altitude ou do tipo de grama.

Após extensos testes comparando gramas como Bermudas, azul do Kentucky e azevém, além de grama sintética, a Fifa determinou que os estádios ao ar livre em Miami e Monterrey utilizarão grama das Bermudas. Já os estádios cobertos e os localizados mais ao norte empregarão uma mistura personalizada de 84% de grama azul do Kentucky e 16% de azevém, visando uma experiência de jogo uniforme em todos os locais.

Cultivo e Manutenção: Um Desafio Logístico

O gramado para a maioria dos 16 estádios foi cultivado em nove fazendas espalhadas pelos Estados Unidos, México e Canadá. Em um feito logístico impressionante, rolos de grama foram transportados em caminhões refrigerados por distâncias de até 2.253 quilômetros, percorrendo cerca de 30 horas de viagem.

Uma das inovações para 2026 é a técnica de “plantio de grama sobre plástico”. Nesta abordagem, a grama é cultivada sobre uma fina camada de areia em uma lona plástica. As raízes crescem para baixo e depois se entrelaçam, formando um tapete denso e resistente que pode ser colhido, transportado e instalado com danos mínimos. Uma vez no local, o gramado é reforçado com fibras plásticas costuradas, que atuam como âncoras para as raízes e estabilizam o campo.

Manter os campos “vivos” após a instalação é outro desafio, especialmente em estádios com cobertura que bloqueiam a luz solar e a circulação de ar. Para contornar isso, os gramados temporários contam com um sistema de suporte vital. Sob a grama, há uma camada de areia para amortecimento e oxigenação das raízes. Abaixo dela, uma camada de cascalho ou módulos plásticos Permavoid integra um sistema de drenagem bidirecional, capaz de injetar ou remover água.

Diariamente, estruturas móveis com painéis de LED para cultivo operam sobre o campo por 12 horas, e ventiladores industriais circulam o ar para prevenir fungos. Mesmo durante o torneio, testes diários de tração, umidade e dureza da superfície continuarão a ser realizados para garantir a manutenção dos altos padrões estabelecidos pela Fifa.

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