Nova fase da Operação Compliance mira senador e gera apreensão no Senado
A Polícia Federal deflagrou a nona fase da Operação Compliance, tendo como um dos alvos o senador Jaques Wagner (PT-BA). A investigação apura supostas irregularidades que envolvem o senador em um esquema de favorecimento ao Banco Master, gerando forte apreensão na cúpula do Senado Federal.
As apurações indicam que Jaques Wagner teria recebido benefícios financeiros e um apartamento de luxo, avaliados em milhões de reais, como contrapartida por sua atuação no Senado. O objetivo seria beneficiar os interesses dos proprietários do Banco Master, especialmente em projetos que visavam aumentar as garantias financeiras para os investidores da instituição.
Conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo, a principal suspeita é que o senador tenha atuado para aprovar a chamada ‘emenda Master’, uma proposta que visava elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Essa medida, caso aprovada, poderia gerar um prejuízo bilionário ao fundo, que já arcou com perdas significativas após a intervenção no banco.
O que é a ‘emenda Master’ e o papel do STF
A ‘emenda Master’ tratava do aumento da cobertura do FGC, funcionando como um seguro para investidores bancários. O Banco Master utilizava essa garantia para comercializar títulos com altos rendimentos. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem conduzido o caso com firmeza, mantendo as investigações e as prisões de familiares do banqueiro Daniel Vorcaro, mesmo diante de resistências internas de outros ministros.
Preocupação no Senado e reações dos envolvidos
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), expressou preocupação com o avanço das investigações. Ele teme que as apurações alcancem sua relação com gestores de fundos de pensão do Amapá que investiram R$ 400 milhões em papéis do Banco Master. Alcolumbre nega veementemente boatos sobre delação premiada envolvendo seu nome.
Jaques Wagner e o senador Ciro Nogueira (PP-PI), também citado na investigação, afirmam que o contato com empresários é parte da rotina parlamentar e negam irregularidades. Wagner, em particular, ressaltou que orientou voto contrário à emenda que beneficiaria o banco. Alcolumbre saiu em defesa dos colegas, enfatizando a presunção de inocência.
