Temporada de Pinguins em SC: Quase 800 Aves Morrem Antes do Inverno Chegar; Entenda o Fenômeno
As praias de Florianópolis, em Santa Catarina, registraram um número expressivo de pinguins-de-Magalhães mortos durante o outono. Até esta quarta-feira (17), foram contabilizadas 796 aves sem vida, segundo balanço da Associação R3 Animal, entidade responsável pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) na capital catarinense. O fenômeno, embora preocupante, é considerado esperado para a época do ano.
A chegada desses animais ao litoral brasileiro faz parte de um ciclo migratório natural. Os pinguins-de-Magalhães deixam suas colônias na Patagônia argentina e nas Ilhas Malvinas em busca de alimento, seguindo as correntes marítimas. No entanto, a longa e árdua jornada muitas vezes resulta em exaustão, desnutrição e hipotermia, levando a um alto índice de mortalidade.
A Associação R3 Animal ressalta que a temporada deste ano iniciou em 19 de maio, e a presença dos pinguins deve se estender até setembro e outubro, quando retornam às suas colônias. Os dados coletados servem para monitorar a saúde das populações e identificar possíveis ameaças. Conforme informação divulgada pela Associação R3 Animal, o dia 10 de junho registrou o maior número de mortes em praias de Florianópolis, com 69 pinguins encontrados, sendo 21 apenas na Praia do Moçambique.
O Ciclo Migratório e os Desafios dos Pinguins Jovens
Todos os anos, com a chegada dos meses mais frios, os pinguins-de-Magalhães embarcam em uma longa viagem. Eles partem de suas áreas de reprodução na Patagônia e Ilhas Malvinas em busca de águas mais quentes e ricas em alimento ao longo das correntes marítimas. Essa migração os leva a percorrer milhares de quilômetros, chegando principalmente às regiões Sul e Sudeste do Brasil.
De acordo com Mariê Loro, técnica de monitoramento da Associação R3 Animal, muitos dos pinguins que chegam ao litoral brasileiro são jovens e inexperientes. “Muitos pinguins jovens e inexperientes chegam às nossas praias exaustos, caquéticos e hipotérmicos. Infelizmente, muitos não resistem à exaustiva jornada, e o registro de mortos acaba sendo alto”, explica a especialista. A temporada de 2024, por exemplo, começou mais tarde que em 2025, quando os primeiros registros foram no final de junho.
Resgate e Reabilitação de Pinguins Encontrados Vivos
Apesar do alto número de aves mortas, as equipes de monitoramento também resgatam pinguins vivos. Esses animais são encaminhados ao Centro de Pesquisa, Reabilitação e Despetrolização de Animais Marinhos (Cepram), localizado no Parque Estadual do Rio Vermelho. O local é administrado pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA-SC) em parceria com a Polícia Militar Ambiental.
Após um período de reabilitação e recuperação, os pinguins que sobrevivem são devolvidos à natureza. Desde o início da temporada, a equipe já socorreu 44 animais. A expectativa é que o fluxo de pinguins, tanto vivos quanto mortos, continue nos próximos meses, intensificando-se com a proximidade do inverno.
O Que Fazer ao Encontrar um Pinguim na Praia
A Associação R3 Animal orienta a população sobre como agir ao avistar um pinguim na praia. É importante não tentar alimentar ou fazer carinho no animal, pois isso pode prejudicá-lo ainda mais. O resgate só é acionado quando o pinguim encalha na faixa de areia.
Caso um pinguim seja avistado na água, próximo à costa, a equipe de resgate informa que ele pode estar apenas se alimentando ou descansando. A intervenção ocorre somente em casos de encalhe, quando o animal demonstra sinais de fragilidade ou incapacidade de retornar ao mar. A colaboração da população, seguindo as orientações, é fundamental para o sucesso das ações de conservação.
