Flávio Bolsonaro questiona condenação de Eduardo e levanta suspeita sobre atuação de Alexandre de Moraes no STF
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), manifestou forte descontentamento com a condenação de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Para Flávio, o processo é “absolutamente nulo” e “injusto”, argumentando que o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, deveria ter se declarado impedido.
A declaração foi feita por meio de suas redes sociais, onde o senador compartilhou um vídeo expressando sua opinião. A condenação de Eduardo Bolsonaro a quatro anos de prisão em regime semiaberto, além de oito anos de inelegibilidade, por coação no processo do suposto golpe de Estado, gerou reações contundentes na família e entre aliados.
Em resposta às críticas, Alexandre de Moraes afirmou que sua participação no julgamento foi legítima, baseada em um entendimento “unânime” da Corte de que a vítima do crime de coação é a instituição e não ele pessoalmente. Conforme informação divulgada pelo STF, o ministro defende que sua atuação seguiu os trâmites legais e o posicionamento da maioria dos ministros.
Reações de aliados e argumentos de defesa
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio, também criticou a decisão, classificando-a como um ato de “indignação”. Marinho alega que o processo violou “garantias fundamentais” do ex-deputado Eduardo Bolsonaro.
Para ilustrar seu ponto, Marinho comparou a situação com a prisão do ex-presidente Lula, quando, segundo ele, petistas buscaram apoio internacional sem que isso fosse caracterizado como coação. “É indispensável assegurar a paridade de armas no debate político e institucional”, declarou o senador em nota oficial.
Paralelos com outros casos e alegação de “dois pesos e duas medidas”
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ecoou o argumento de Marinho, lembrando a ida de parlamentares do PT ao exterior durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ferreira alertou para o que considera uma prática de “dois pesos e duas medidas” por parte do STF.
“Parlamentares do PT buscaram apoio internacional contra o impeachment de Dilma e nada foi feito. Dois pesos, duas medidas. Nossa justiça é tudo, menos imparcial”, afirmou o deputado em suas redes sociais, reforçando a tese de parcialidade na decisão judicial.
Justificativa do STF para a atuação de Moraes
A defesa da atuação de Alexandre de Moraes no caso se baseia em um entendimento consolidado no STF. A Corte considera que, em casos de coação relacionados a processos institucionais, a vítima é o próprio Supremo Tribunal Federal, e não um ministro específico. Essa interpretação é fundamental para justificar a condução do caso por Moraes.
Dessa forma, a alegação de suspeição levantada por Flávio Bolsonaro e outros aliados é contestada pela própria jurisprudência do tribunal. O ministro Alexandre de Moraes, ao se defender, ressalta que a decisão de julgar o processo de Eduardo Bolsonaro foi tomada com base nesse entendimento “unânime” da Corte, garantindo a legalidade de sua participação.
