Banqueiro Daniel Vorcaro é acusado de custear luxos para políticos em troca de influência no Congresso
O ministro do STF, André Mendonça, retirou o sigilo de inquéritos que apontam para um esquema de troca de favores envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e políticos influentes em Brasília. Documentos da Polícia Federal indicam que Vorcaro teria financiado viagens, hospedagens em hotéis de luxo e outros benefícios para o senador Ciro Nogueira e o deputado Hugo Motta.
Em contrapartida, os parlamentares teriam atuado no Congresso Nacional para defender os interesses econômicos do banco. Essa relação, segundo os investigadores, configura um arranjo para obtenção de benefícios mútuos, indo além de uma simples amizade pessoal. O esquema envolveria a apresentação de emendas legislativas e outras ações políticas em benefício do Banco Master.
As informações foram apuradas pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo, que detalhou como o esquema funcionava e quais foram os benefícios recebidos pelos políticos. O caso levanta sérias questões sobre a influência do poder econômico nas decisões legislativas do país.
Ciro Nogueira: Viagens internacionais e emendas suspeitas
O senador Ciro Nogueira teria recebido uma série de regalias do banqueiro Daniel Vorcaro. Entre os benefícios citados pela investigação estão despesas pagas em hotéis de luxo em Nova York, jantares em restaurantes caros e o uso de aeronaves particulares. Além disso, o banqueiro teria disponibilizado um imóvel de alto padrão ao senador e até autorizado o uso de seu cartão de crédito pessoal para gastos durante viagens internacionais.
A Polícia Federal identificou que, após receber essas benesses, o parlamentar apresentou emendas legislativas que favoreciam diretamente o Banco Master. Uma delas, conhecida como ‘Emenda Master’, visava alterar as regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Segundo a PF, o texto dessa emenda teria sido elaborado pela própria assessoria do banco e enviado ao banqueiro antes de ser formalizado por Nogueira no Congresso.
Hugo Motta: Diárias em hotéis de luxo e voos fretados
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, também é citado nas investigações. Mensagens de WhatsApp revelaram conversas sobre a organização de voos em jatos privados de Daniel Vorcaro. A investigação descobriu ainda o pagamento de cerca de R$ 20 mil em diárias para Motta em um hotel de luxo em Lisboa, em junho de 2024.
O deputado Hugo Motta afirmou estar tranquilo quanto às acusações, alegando que participou de um evento jurídico tradicional e não vê irregularidade no custeio de suas despesas. Ele defende que o pagamento foi referente a um evento e que não houve contrapartida política.
Ameaças e tentativas de silenciar investigações
Um inquérito paralelo apura ameaças de morte envolvendo as famílias dos investigados. Joana Mourão, irmã de um ex-parceiro comercial de Vorcaro, teria ameaçado divulgar segredos que poderiam prejudicar a família do banqueiro após a morte do irmão. Em resposta, Joana relatou ter recebido vídeos de homens armados com fuzis como forma de intimidação.
A Polícia Federal descobriu que o grupo ligado a Daniel Vorcaro teria tentado monitorar as investigações e silenciar testemunhas através de pagamentos. Essas ações visavam impedir o avanço das apurações sobre o esquema de corrupção e tráfico de influência envolvendo o Banco Master e políticos.
