Mulher em Quarentena nos EUA Relata Confinamento Injusto Após Exposição a Hantavírus
Uma passageira de cruzeiro, identificada como Angela Perryman, de 47 anos, encontra-se em uma situação desesperadora nos Estados Unidos. Ela está sendo mantida em uma instalação de quarentena em Nebraska, contra sua vontade, após ter sido exposta ao hantavírus no início de maio.
Apesar de ter testado negativo para o vírus e não apresentar quaisquer sintomas, Perryman relata que sua detenção foi prolongada por uma ordem assinada pelo secretário de Saúde do governo Trump, Robert F. Kennedy Jr. Outros indivíduos que estiveram na mesma instalação já foram liberados para retornar para suas casas desde 31 de maio.
A decisão de manter Perryman isolada contraria a recomendação de uma revisão médica dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). A passageira expressou sua revolta e frustração em entrevista ao The New York Times, descrevendo sua experiência como uma verdadeira prisão. Esta situação levanta sérias questões sobre os direitos individuais em casos de saúde pública, conforme divulgado pelo The New York Times.
Recomendação Médica Ignorada
Após uma audiência para contestar sua ordem de quarentena, Michael Bell, revisor médico de quarentena do CDC, recomendou na última quinta-feira que Angela Perryman fosse liberada. Bell sugeriu que ela retornasse para casa para cumprir o restante de sua quarentena de 42 dias, com monitoramento remoto diário de sintomas e acesso a atendimento médico 24 horas caso desenvolvesse sinais da doença.
Em seu julgamento profissional, Bell afirmou que essa alternativa menos restritiva seria adequada para proteger a saúde pública. No entanto, a ordem de Kennedy para manter Perryman em Omaha contradiz frontalmente essas conclusões, segundo Steven Hyman, advogado da passageira.
A Luta de Perryman por Liberdade
Perryman é uma das 18 passageiras de um cruzeiro que se tornou foco de um surto de hantavírus, que resultou em três mortes e deixou várias pessoas doentes. As passageiras foram trazidas de volta aos Estados Unidos em 11 de maio e inicialmente colocadas em quarentena na Unidade Nacional de Quarentena em Omaha, Nebraska.
Inicialmente, as passageiras deveriam retornar para seus estados de origem, mas foram instruídas a permanecer em Omaha até pelo menos 31 de maio. Perryman decidiu contestar publicamente a ordem, acreditando que a situação se tratava de **malícia e retaliação**.
Condições da Quarentena e Frustração da Passageira
Alguns passageiros foram autorizados a cumprir quarentena em casa, sob monitoramento de autoridades de saúde locais. Perryman é uma das dez passageiras que ainda permaneciam em Omaha, mas é a única mantida contra sua vontade. Ela desejava cumprir a quarentena em sua residência na Flórida, mas o estado se recusou a cumprir os requisitos do governo federal.
Na instalação de Omaha, funcionários medem a temperatura de Perryman duas vezes ao dia e fornecem comida mediante solicitação. Ela tem permissão para usar um terraço por cerca de uma hora diária, sob vigilância de guardas armados. “Eles são educados e não estão usando violência física contra mim, mas fora isso é uma prisão”, desabafou Perryman, descrevendo a severidade do confinamento.
Ausência de Controle e Equilíbrio nas Detenções de Saúde Pública
A passageira criticou a falta de controle e equilíbrio sobre detenções prolongadas sob a lei de saúde pública. A ordem de Kennedy para manter Perryman em Omaha, mesmo com a recomendação médica de monitoramento remoto, reforça sua percepção de falta de transparência e justiça no processo. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA se recusou a comentar o caso.
