Irã executa mais dois manifestantes em meio a tensões globais
Agências estatais do Irã confirmaram nesta terça-feira (16) a execução de mais dois manifestantes que participaram dos protestos ocorridos em dezembro e janeiro. As execuções elevam o número de mortos e intensificam o debate sobre direitos humanos no país.
A ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, divulgou que, desde 19 de março, pelo menos 20 manifestantes foram executados por sua participação nos levantes populares. A organização critica a falta de um julgamento justo nos casos.
As condenações, proferidas pela 1ª Vara do Tribunal Revolucionário de Shahroud, incluíram acusações graves como destruição de propriedade pública e privada, reunião contra a segurança nacional, perturbação da ordem pública e o crime de moharebeh (inimigo de Deus). Todos os bens de Javad Zamani e Abolfazl Saedi, os executados, foram confiscados.
Execuções sob escrutínio internacional
Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da Iran Human Rights, ressaltou que o processo que levou às execuções não atendeu a padrões mínimos de um julgamento justo. Ele acredita que o objetivo é semear o medo e desencorajar futuros protestos.
O anúncio das execuções ocorre apenas dois dias após o presidente americano, Donald Trump, divulgar um acordo para encerrar a guerra entre os EUA e Israel contra o Irã, com assinatura prevista para esta sexta-feira (19) na Suíça. A coincidência levanta preocupações sobre a diplomacia e os direitos humanos.
Apelo por prioridade aos direitos humanos
Amiry-Moghaddam fez um apelo para que a comunidade internacional, especialmente os países europeus, priorizem a situação dos direitos humanos no Irã e o fim das execuções. Ele sugere que uma moratória imediata sobre a pena de morte seja condição para a normalização das relações com a União Europeia.
Dados alarmantes da Anistia Internacional indicam um aumento drástico nas execuções no Irã. Em 2025, o país realizou 2.159 execuções, mais que o dobro das 972 registradas em 2024. Esse número representa o mais alto desde 1981.
