BYD busca avanço tecnológico na cadeia de baterias com apoio diplomático do Brasil
A montadora chinesa BYD apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um pedido para que o Brasil articule um acordo diplomático com a China visando a transferência de tecnologia para a fabricação de células de baterias de lítio no país. A iniciativa, segundo o vice-presidente do Grupo BYD Brasil, Alexandre Baldy, é fundamental para expandir a produção nacional e otimizar o uso das reservas minerais sul-americanas.
Atualmente, a BYD já produz no Brasil os conjuntos de baterias, mas a produção das células, componentes essenciais desses equipamentos, ainda depende da importação da China, que responde por cerca de 85% do suprimento utilizado pela empresa. “Até disse ao próprio presidente Lula que a gente possa estabelecer essa relação diplomática com o governo chinês para que possa sonhar com uma transferência de tecnologia”, declarou Baldy em conversa com jornalistas.
O executivo ressaltou que a viabilização dessa transferência tecnológica não é uma decisão puramente empresarial, mas sim um passo que demanda uma articulação governamental. “É um sonho como esse que a fábrica da BYD idealiza, mas não depende de uma decisão corporativa. É muito mais uma decisão diplomática”, explicou Baldy, destacando a importância estratégica do setor para a indústria de veículos elétricos e a necessidade de processos industriais específicos para a fabricação de células.
Oportunidades na América do Sul e desafios tecnológicos
Alexandre Baldy defende que uma aproximação entre os governos brasileiro e chinês pode impulsionar o desenvolvimento de uma cadeia produtiva de baterias na América do Sul. Ele aponta as significativas reservas de lítio na região como um diferencial competitivo que poderia ser explorado para aumentar a participação brasileira no mercado global de baterias. A fabricação de células de lítio exige um alto grau de especialização tecnológica e processos industriais complexos, que vão além da montagem dos pacotes de bateria já realizados no Brasil.
A China detém uma posição de liderança consolidada na cadeia global de produção de baterias e impõe restrições à transferência de certas tecnologias para empresas estrangeiras. Nesse contexto, a intervenção diplomática brasileira seria um fator chave para superar essas barreiras e viabilizar a produção local de componentes de alta tecnologia, alinhando o Brasil aos objetivos de transição energética e desenvolvimento industrial.
