Senador Flávio Bolsonaro declara que não aceitará o resultado das urnas e que sua equipe jurídica irá solicitar a anulação das eleições.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) manifestou publicamente seu descontentamento com o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, declarando que não reconhece o pleito nas circunstâncias em que ocorreu. Em pronunciamento na noite deste domingo (25), por volta das 22h40, o senador afirmou que pedirá a anulação da eleição, citando como principal motivo a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que prorrogou por duas horas o período de votação em algumas localidades do país.
A medida, tomada pelo ministro após solicitação da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva devido a problemas com o transporte público em pelo menos nove estados, foi classificada por Flávio Bolsonaro como “inaceitável” e uma alteração das regras do jogo no meio da disputa. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram”, declarou o senador, que estava acompanhado de aliados como o candidato a vice-presidente Alfredo Gaspar e os senadores eleitos Bia Kicis e Guilherme Derrite.
O senador criticou a atuação de Zanin, que não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), acusando-o de interferir nas atribuições da Justiça Eleitoral. “Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo”, disse Flávio, ressaltando que a decisão foi tomada às 17h01, com a prorrogação valendo para todo o Brasil.
Quebra de Isonomia e Retirada de Fiscais
Segundo Flávio Bolsonaro, a prorrogação da votação gerou uma quebra de isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados, uma vez que nem todas as localidades tiveram as urnas reabertas. Para ele, a medida comprometeu a igualdade de condições entre os participantes da eleição, impossibilitando saber o potencial de votos perdidos em locais onde a votação não foi estendida. “Eu nunca vou saber se numa cidade onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, afirmou.
O senador também relatou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre a partir do momento em que a decisão de prorrogar a votação foi tomada, levantando suspeitas sobre a lisura do processo. A campanha de Flávio Bolsonaro havia solicitado ao TSE a prorrogação do horário de votação até as 19h em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, devido a problemas climáticos e de infraestrutura, mas o pedido foi direcionado ao presidente da Corte Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, e não ao STF.
Contexto Eleitoral e Resultado Final
A declaração de Flávio Bolsonaro ocorreu após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que garantiu matematicamente a vitória às 21h08. Com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos), enquanto Flávio Bolsonaro alcançou 48,21% (59.826.041 votos). No primeiro turno, Flávio havia superado Lula em número de votos válidos.
O senador eleito Mauro Mendes (União Brasil-MT) já havia expressado anteriormente que os números apurados pareciam “um pouco estranhos”, antes mesmo do pronunciamento de Flávio Bolsonaro. A decisão de contestar o resultado marca um desdobramento significativo no cenário político pós-eleitoral, com a campanha de Bolsonaro prometendo acionar os meios jurídicos para buscar a anulação do pleito.