Startup afirma ter usado vírus criado por IA para tratar infecção bacteriana mortal
Startup afirma ter usado vírus criado por IA para tratar infecção bacteriana mortal

Startup afirma ter usado vírus criado por IA para tratar infecção bacteriana mortal

Startup alega ter utilizado inteligência artificial para desenvolver um vírus capaz de tratar um paciente humano com uma infecção bacteriana grave, abrindo novas perspectivas na medicina. A americana Radical Numerics anunciou na última terça-feira (20) ter usado, pela primeira vez, um vírus projetado por inteligência artificial (IA) para tratar um paciente. O organismo viral, conhecido […]

Resumo

Startup alega ter utilizado inteligência artificial para desenvolver um vírus capaz de tratar um paciente humano com uma infecção bacteriana grave, abrindo novas perspectivas na medicina.

A americana Radical Numerics anunciou na última terça-feira (20) ter usado, pela primeira vez, um vírus projetado por inteligência artificial (IA) para tratar um paciente. O organismo viral, conhecido como fago, foi administrado a um indivíduo com uma infecção bacteriana que não respondia a tratamentos convencionais, incluindo antibióticos e outros fagos disponíveis. A empresa divulgou um relatório técnico em seu site, mas optou por manter em sigilo detalhes sobre o paciente e a equipe médica, citando confidencialidade.

O fago em questão, uma variação do vírus T7 que ataca a bactéria E. coli, foi modificado pela IA Omnii da Radical Numerics para alterar a estrutura de suas ‘pernas’, permitindo uma fixação mais eficaz à bactéria resistente. A terapia com fagos, embora utilizada há mais de um século, tem ganhado renovada atenção diante do crescente problema da resistência a antibióticos em todo o mundo. A capacidade de personalizar esses vírus com o auxílio da IA poderia acelerar significativamente o desenvolvimento de tratamentos individualizados.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Radical Numerics e entrevistas com especialistas independentes.

O potencial da IA na terapia fágica

O desenvolvimento do fago pela Radical Numerics é um desdobramento direto de pesquisas anteriores. Em 2025, cientistas do Arc Institute criaram o modelo de IA Evo 2, capaz de gerar genomas virais. Três dos pesquisadores envolvidos nesse projeto fundaram a Radical Numerics, aprimorando a tecnologia com o modelo Omnii. Este novo sistema é treinado não apenas com DNA, mas também com outros aspectos biológicos, como estruturas de proteínas e mecanismos regulatórios de genes.

A empresa relata que o Omnii gerou variações do fago T7, com novas estruturas nas pernas que, segundo os pesquisadores, mantêm a capacidade de infectar e matar bactérias. Após testes de segurança e autorização da FDA (agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA), o fago foi administrado ao paciente. A expectativa é que este novo tratamento, se bem-sucedido, reduza drasticamente o tempo necessário para desenvolver um vírus adaptado a infecções específicas, que atualmente pode levar dias ou semanas.

Cautela e otimismo na comunidade científica

Especialistas independentes recebem a notícia com uma mistura de curiosidade e cautela. Michael Baym, microbiologista da Universidade Harvard, considera a possibilidade ‘incrível’ se funcionar, mas ressalta a importância de aguardar a conclusão do ensaio e a avaliação completa da eficácia e originalidade dos vírus criados. Ele expressa uma tendência ao ceticismo até que mais dados sejam publicados e revisados por pares.

Brandon Berryhill, microbiologista evolutivo da Universidade de Uppsala, na Suécia, alerta que não há garantia de que fagos projetados por IA serão eficazes em um ambiente clínico real. ‘Não podemos medir nada em laboratório e dizer quão eficaz será no controle de algo durante uma infecção’, pontua. Ele também destaca que, mesmo com o sucesso, a IA pode não resolver a falta de conhecimento sobre os fatores que determinam o sucesso ou o fracasso da terapia fágica. A Radical Numerics pretende publicar suas descobertas em periódicos científicos revisados por pares, mediante o consentimento adequado do paciente.

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