Anvisa amplia acesso a tratamentos contra obesidade e diabetes com aprovação de 5 novas canetas injetáveis
Anvisa amplia acesso a tratamentos contra obesidade e diabetes com aprovação de 5 novas canetas injetáveis

Anvisa amplia acesso a tratamentos contra obesidade e diabetes com aprovação de 5 novas canetas injetáveis

Anvisa aprova cinco novas canetas para diabetes e obesidade, elevando o total para 19 em 2026. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou nesta quinta-feira (29) a aprovação de cinco novas canetas injetáveis à base de liraglutida e semaglutida. Esses medicamentos, amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, representam um […]

Resumo

Anvisa aprova cinco novas canetas para diabetes e obesidade, elevando o total para 19 em 2026.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou nesta quinta-feira (29) a aprovação de cinco novas canetas injetáveis à base de liraglutida e semaglutida. Esses medicamentos, amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade, representam um avanço significativo na oferta de terapias no Brasil. Com essas novas autorizações, o total de canetas aprovadas pela Anvisa somente em 2026 atinge 19 unidades, sendo 12 de semaglutida, seis de liraglutida e uma nova versão de Mounjaro (tirzepatida).

Entre as novidades aprovadas estão Aribet (liraglutida) e Embeltah (semaglutida), indicadas para o manejo do diabetes. Já as canetas Lyrza (liraglutida) e Wylovol (liraglutida) foram liberadas para o tratamento da obesidade, em conjunto com a adoção de mudanças na dieta e a prática regular de exercícios físicos. A inclusão de Sevema (semaglutida) também foi anunciada, voltada para o controle do diabetes.

A crescente variedade de opções terapêuticas não deve ser interpretada como uma liberação para uso indiscriminado. A escolha do medicamento ideal deve considerar a indicação específica aprovada pela Anvisa, a dosagem adequada e as características individuais de cada produto. A endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG), ressalta que a decisão médica deve levar em conta o diagnóstico preciso do paciente, a necessidade de perda de peso, a presença de outras comorbidades, a evidência científica disponível para cada fármaco e a viabilidade de manutenção do tratamento a longo prazo.

A cronicidade de doenças como obesidade e diabetes exige, frequentemente, terapias contínuas. Nesse contexto, a escolha do tratamento pode ser influenciada não apenas pela eficácia em termos de perda de peso, mas também pelo custo e pela capacidade do paciente de arcar com o tratamento por meses ou anos. Medicamentos como o Mounjaro (tirzepatida), que demonstram alto potencial de emagrecimento, podem não ser a opção mais sustentável se o custo for proibitivo para o paciente a longo prazo.

Os possíveis efeitos colaterais também são um fator crucial na definição do tratamento. Substâncias desta classe agem no sistema gastrointestinal, podendo desencadear sintomas como náuseas, dores abdominais, refluxo, constipação e outras alterações no hábito intestinal. A indústria farmacêutica, impulsionada pelo sucesso clínico e comercial dessas moléculas, segue em busca de compostos ainda mais eficazes, com perfis de segurança aprimorados e formatos de administração mais convenientes, como comprimidos orais, que já se encontram em fases avançadas de desenvolvimento e aprovação.

Novas moléculas e formatos em desenvolvimento

A corrida por inovações na área já aponta para o futuro. Moléculas como CagriSema, Survodutida e Retatrutida estão em fase avançada de testes clínicos pela Novo Nordisk, Boehringer Ingelheim e Eli Lilly, respectivamente. Todas elas já alcançaram a fase 3, etapa final antes da submissão para aprovação por agências reguladoras globais.

Nos Estados Unidos, a FDA já aprovou em abril o Orforglipron, da Lilly, uma molécula de uso oral comercializada como Foundayo. Embora ainda não disponível no Brasil, a expectativa é que chegue ao mercado nacional no segundo semestre de 2027, representando uma nova fronteira em tratamentos orais para obesidade e diabetes.

Entendendo as substâncias: Semaglutida, Liraglutida e Tirzepatida

A semaglutida, por exemplo, atua mimetizando a ação do GLP-1, hormônio natural que regula a glicose e a saciedade. Ao estimular os receptores de GLP-1, a substância auxilia no controle da glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade, contribuindo para a perda de peso.

Já a liraglutida, também pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, difere em sua frequência de aplicação. Enquanto semaglutidas e tirzepatidas são geralmente administradas semanalmente, a liraglutida costuma exigir aplicação diária. A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, destaca-se por atuar em dois hormônios: GLP-1 e GIP, sendo classificada como um agonista duplo.

A expansão do mercado brasileiro com a chegada de genéricos e similares, como o Ozivy (semaglutida) e Liraclick (liraglutida), visa democratizar o acesso a esses tratamentos. A legislação brasileira prevê que genéricos devem ter um custo mínimo de 35% inferior ao medicamento de referência, o que pode ser um fator decisivo para muitos pacientes.

É fundamental que pacientes e médicos considerem todos os aspectos antes de iniciar o tratamento, incluindo a indicação correta, a posologia, os potenciais efeitos colaterais e a sustentabilidade financeira do tratamento a longo prazo. A Anvisa, ao aprovar novas opções, busca não apenas ampliar o leque terapêutico, mas também fomentar a concorrência e, consequentemente, a acessibilidade a medicamentos essenciais para o controle de doenças crônicas.

Tags:

Veja Também

Polícia Federal prende presidente do TCE-MT e apura desvio de R$ 75 milhões

Polícia Federal prende presidente do TCE-MT e apura desvio de R$ 75 milhões

Rover da NASA descobre poeira ultrafina em Marte, levantando preocupações para futuras missões tripuladas

Rover da NASA descobre poeira ultrafina em Marte, levantando preocupações para futuras missões tripuladas

Flávio Bolsonaro fundamenta pedido de asilo nos EUA com alegações de perseguição política

Flávio Bolsonaro fundamenta pedido de asilo nos EUA com alegações de perseguição política

Eleições em Israel: O Caminho para Formar um Novo Governo Após a Apuração

Tratamento contra câncer de mama HER2-positivo pode reduzir mortes em 33% no SUS, aponta estudo

Tratamento contra câncer de mama HER2-positivo pode reduzir mortes em 33% no SUS, aponta estudo