Fóssil de dinossauro atinge valor milionário em leilão
Um esqueleto de um dinossauro parente menor do famoso Tyrannosaurus rex foi arrematado por US$ 47,3 milhões (aproximadamente R$ 252 milhões) em um leilão realizado nos Estados Unidos. A venda, ocorrida na última terça-feira (27), reforça o crescente mercado de fósseis provenientes da paleontologia comercial, com preços que superam até mesmo espécimes de dinossauros de maior porte em leilões recentes. O valor alcançado, contudo, ficou ligeiramente abaixo dos US$ 50,1 milhões pagos por um T. rex na Sotheby’s em junho deste ano.
O fóssil em questão recebeu o apelido de ‘Jodi’, em homenagem à proprietária das terras onde foi descoberto em 2019, no estado de Montana. A descoberta ocorreu na Formação Hell Creek, uma área conhecida por sua riqueza em achados paleontológicos. A estimativa inicial da Sotheby’s para a venda de ‘Jodi’ variava entre US$ 6 milhões e US$ 9 milhões, um valor significativamente menor do que o preço final de martelo. O nome do comprador não foi divulgado.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.
O mistério do Nanotyrannus: T. rex jovem ou espécie distinta?
A importância e o valor de ‘Jodi’ residem, em parte, na controvérsia científica que envolve o grupo ao qual ele pertence: os Nanotyrannus. Há quase meio século, paleontólogos debatem se esses animais seriam apenas exemplares jovens de Tyrannosaurus rex ou uma espécie de tiranossauro completamente diferente. A descoberta de ‘Jodi’ a poucos quilômetros de um local onde foram encontrados fósseis de um Triceratops e um T. rex em aparente combate mortal, em 2006, adiciona mais camadas a essa discussão.
O processo de escavação de ‘Jodi’ foi documentado em 2020 no programa “Dino Hunters”, do Discovery Channel. O exemplar mede 2,9 metros de altura e 6 metros de comprimento. A complexidade em definir se ‘Jodi’ é um T. rex adolescente ou um adulto de uma espécie separada reside na escassez de espécimes fósseis comparáveis. Predadores de topo como o T. rex não eram abundantes em ecossistemas antigos, e seus restos, quando fossilizados, tendem a ser mais fragmentados, dificultando a determinação da idade exata do animal no momento da morte.
Novas evidências e o debate científico em andamento
Um estudo publicado no ano passado na revista Nature apresentou evidências que parecem solucionar o debate, utilizando os fósseis dos “dinossauros duelistas”. A análise do tiranossauro presente nesse par de fósseis, que agora está exposto em um museu na Carolina do Norte, forneceu subsídios para classificar a espécie como Nanotyrannus lancensis, sugerindo que a teoria do T. rex juvenil seria refutada. ‘Jodi’ também se enquadraria nesta classificação, embora ainda haja discussões científicas sobre a existência de duas espécies distintas de Nanotyrannus.
A dificuldade em diferenciar espécies semelhantes, especialmente em estágios juvenis e adultos, é um desafio persistente na paleontologia. A natureza e a raridade do registro fóssil tornam cada descoberta, como a de ‘Jodi’, um evento de grande relevância científica e, como demonstrado pelo recente leilão, econômica.
