Presidente americano enfrenta dilema em meio a negociações tensas com Teerã.
Donald Trump se encontra em uma posição delicada, ponderando entre a escalada de um conflito com o Irã e a aceitação de um acordo nos termos de Teerã, que estaria aquém de seus objetivos iniciais. As negociações, mediadas por Omã, focam na reabertura do Estreito de Hormuz, por onde escoa um quinto da oferta mundial de petróleo, mas sem garantir a “liberdade de navegação” pré-guerra.
O que começou como uma exigência por uma “rendição incondicional” e uma lista extensa de concessões iranianas, incluindo o fim do programa nuclear e o desmonte de mísseis balísticos, agora se resume à garantia de tráfego no estreito. Críticos apontam que isso representaria uma humilhação estratégica, pois o Irã só explorou sua vantagem sobre Hormuz após o início da guerra por parte dos EUA. O país persa pode, em um futuro acordo, obter controle sobre parte do estreito e a capacidade de cobrar taxas de embarcações, algo impensável há um ano.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Financial Times.
Objetivos reduzidos e pressão política
Analistas consideram que o Irã, sentindo-se em vantagem e capaz de controlar o estreito, agora negocia de uma posição de força. A desnuclearização, antes o objetivo principal, parece distante, e Washington teria que lidar com um regime mais desafiador. A “rendição incondicional” exigida por Trump para Teerã parece cada vez mais inatingível.
A saída da guerra, que gerou temores de escassez de petróleo e inflação, tornou-se politicamente arriscada para Trump, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando. Embora os preços internacionais do petróleo tenham recuado, os preços da gasolina nos EUA permanecem elevados. A diminuição dos estoques de mísseis interceptadores americanos e o cansaço de aliados deixam o presidente com poucas opções.
Um acordo provisório e suas implicações
O acordo em negociação entre Irã e Omã prevê que as embarcações entrem no estreito por águas iranianas e saiam, em sua maioria, por águas omanis. Inicialmente, o Irã enviaria navios para garantir a ausência de minas antes da liberação para outras embarcações. Uma das condições do acordo temporário seria a isenção de taxas para essas passagens.
No entanto, o Irã insiste em cobrar futuras “taxas de serviço”, uma demanda rejeitada pelos países do Golfo. Omã propôs um modelo sem pedágios, semelhante ao do Estreito de Malaca, com contribuições voluntárias para segurança e proteção ambiental.
O dilema de Trump: escalada ou concessão?
Diplomatas esperam que um acordo reative um memorando anterior entre EUA e Irã, que visava um cessar-fogo e a reabertura gradual do estreito. Se Teerã fechar um acordo para abrir Hormuz, os EUA poderiam suspender o bloqueio naval e aliviar sanções. Contudo, um pacto que se afaste significativamente dos objetivos originais de Trump provavelmente enfrentará forte oposição interna, tanto de democratas quanto de aliados republicanos.
A situação deixa Trump em uma encruzilhada: escalar o conflito, com riscos de danos regionais e instabilidade no mercado de energia, ou aceitar um acordo que pode ser visto como uma concessão, gerando insatisfação interna e entre aliados. A dificuldade reside não apenas em conduzir a guerra, mas em apresentar qualquer acordo como uma vitória política.
A saída para Trump parece ser um ciclo de escalada e tréguas improvisadas, onde a pressão por resultados leva a novas ações coercitivas, que por sua vez exigem novas negociações. A complexidade da situação sugere que o presidente pode ter subestimado a dificuldade em resolver o conflito com o Irã.
