Renan Santos aposta na 'economia da atenção' de Marçal para 2026, mas risco de rejeição é alto
Renan Santos aposta na ‘economia da atenção’ de Marçal para 2026, mas risco de rejeição é alto

Renan Santos aposta na ‘economia da atenção’ de Marçal para 2026, mas risco de rejeição é alto

A tática de gerar polêmica para capturar o eleitorado A estratégia de marketing político conhecida como “economia da atenção”, popularizada por Pablo Marçal nas eleições de 2024, está sendo agora empregada por Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão. A tática consiste em gerar polêmicas e controvérsias para despertar o interesse do […]

Resumo

A tática de gerar polêmica para capturar o eleitorado

A estratégia de marketing político conhecida como “economia da atenção”, popularizada por Pablo Marçal nas eleições de 2024, está sendo agora empregada por Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão. A tática consiste em gerar polêmicas e controvérsias para despertar o interesse do eleitorado, um método que, embora eficaz para ganhar visibilidade com baixo custo, carrega consigo o risco de aumentar a rejeição, como já demonstrado no caso de Marçal.

Renan Santos, em sua primeira disputa presidencial e com um partido recém-criado com limitado fundo eleitoral, tem aparecido em pesquisas de intenção de voto empatado com governadores de carreira consolidada, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD). Em alguns levantamentos, como o da AtlasIntel divulgado no final de julho, Santos chega a ultrapassar os citados governadores, demonstrando o potencial de sua estratégia em atrair atenção.

Contudo, especialistas em marketing político apontam que a eficácia a longo prazo é questionável. “Dificilmente Renan vai conseguir ser o Milei brasileiro, o momento político não é tão propício para isso. Mas ele está tentando, e está indo melhor do que Caiado e Zema, gastando muito menos”, avalia Marcelo Vitorino, consultor e professor de marketing político da ESPM. As informações sobre as pesquisas e a análise de Vitorino foram obtidas a partir de reportagens recentes.

Marçal como precursor da “guerrilha digital” eleitoral

Pablo Marçal, que registrou sua candidatura à Presidência pelo PRTB após obter uma liminar, apesar de sua inelegibilidade decretada pelo TRE-SP, é visto como o pioneiro dessa abordagem. Em 2024, sua campanha para a prefeitura de São Paulo quase o levou ao segundo turno contra o prefeito reeleito Ricardo Nunes (MDB). A estratégia, descrita por especialistas como “economia da atenção” e similar ao “marketing de guerrilha”, baseia-se em transformar debates e adversários em material para viralização nas redes sociais, definindo a agenda pelo atrito.

Marçal levou essa tática ao extremo em 2024, com incidentes que incluíram agressões físicas. Renan Santos, até o momento, tem adotado um tom ligeiramente mais comedido, utilizando sua oratória e performance para gerar manchetes, como a proposta de “matar quem roubar” e o uso de colete à prova de balas. Seu lançamento de campanha em um reduto de esquerda, onde tocou seu jingle no violão e na gaita, também exemplifica essa busca por atenção não convencional.

O preço da notoriedade: aumento da rejeição

Embora a estratégia de “guerrilha digital” e a “economia da atenção” sejam eficazes para tornar um candidato conhecido rapidamente, o principal risco reside no aumento da rejeição. William de Souza Castro, professor de Publicidade e Propaganda do Centro Universitário Belas Artes, adverte que a agressividade pode, em certo ponto, cobrar um preço em credibilidade e amplitude eleitoral. “A estratégia eficiente é aquela em que a ruptura gera atenção, mas também reforça atributos desejáveis de marca, como coragem, competência ou autenticidade. Quando a provocação vira um fim em si mesma, há risco de o candidato maximizar distribuição algorítmica e perder o eleitor”, explica Castro.

Vitorino atribui a não ida de Marçal ao segundo turno em 2024 à alta rejeição gerada por sua campanha. “Chamar atenção é a parte barata do trabalho, sustentar é a parte cara. A polêmica entrega visibilidade rápida e cobra a conta em rejeição depois”, afirma.

Além disso, o fato de Renan Santos adotar essa tática após o “efeito Marçal” pode diminuir sua vantagem competitiva. “Marçal surpreendeu em parte porque muitos concorrentes ainda estavam jogando segundo uma lógica tradicional. Quando todos entendem a técnica, ela perde parte da vantagem competitiva”, analisa Castro. Ele conclui que a “guerrilha de 2026 não pode ser simplesmente repetir a guerrilha de 2024”, pois o público, a imprensa e os adversários já estão familiarizados com essa lógica.

A reportagem tentou contato com as assessorias de imprensa de Renan Santos e Pablo Marçal, mas não obteve retorno até a publicação. As metodologias das pesquisas Quaest e AtlasIntel foram consultadas para contextualizar os dados apresentados.

Tags:

Veja Também

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Pediatria alerta sobre uso de 'canetas emagrecedoras' em crianças e adolescentes

Pediatria alerta sobre uso de ‘canetas emagrecedoras’ em crianças e adolescentes

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Perda de 15% da força muscular já é sinal de alerta para mobilidade na velhice, aponta estudo

Perda de 15% da força muscular já é sinal de alerta para mobilidade na velhice, aponta estudo