Declarações de Sanae Takaichi no Parlamento japonês provocam debate sobre a divisão de tarefas e expectativas de gênero.
Tóquio – Em uma audiência parlamentar focada em questões orçamentárias, geopolíticas e de segurança, a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, surpreendeu ao justificar sua agenda lotada com um argumento incomum: a necessidade de dedicar ao menos três horas diárias a tarefas como maquiagem, banho e afazeres domésticos. A declaração, feita por Takaichi, a primeira mulher a ocupar o cargo máximo do executivo japonês, acendeu um debate nacional sobre a dupla jornada feminina e as rígidas expectativas sociais impostas às mulheres no país.
Diante de um plenário majoritariamente masculino, Takaichi afirmou que sua rotina é significativamente mais exigente do que a de seus antecessores homens. “Encontrar tempo para me sentar e me concentrar com a mente realmente tranquila é um desafio”, disse ela aos parlamentares. “Sinto que, em comparação com um primeiro-ministro homem, talvez eu passe três ou quatro horas a mais nessas tarefas.” A primeira-ministra, conhecida por sua postura conservadora e por defender valores tradicionais, também mencionou que sua equipe, composta exclusivamente por homens, ainda se adapta à sua rotina, chegando a esquecer de agendar tempo para sua maquiagem antes de aparições públicas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo The New York Times.
Expectativas sociais e a “ordem natural das coisas”
As falas de Takaichi ressoaram em um Japão onde as mulheres ainda carregam a maior parte das responsabilidades domésticas e enfrentam a pressão das normas de
