Kassab cobra medidas econômicas e aproximação com centro para PSD ter “relação profunda” com governo Lula
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, indicou que o apoio do partido ao quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dependerá de anúncios de medidas econômicas e de um gesto de aproximação do governo com partidos do centro político. Em entrevista ao jornal O Globo, Kassab revelou que o Planalto já buscou o PSD para discutir o suporte à nova gestão, mas ressaltou a necessidade de ações concretas por parte do Executivo.
“O governo já nos procurou desta vez, sim. Lula precisa ter uma postura para unir o país e aumentar o apoio, algo que não conseguiu no terceiro mandato. […] Se medidas econômicas forem adotadas, estaremos mais próximos, sim. Aí poderemos ter uma relação mais profunda”, declarou Kassab, que já comandou ministérios em gestões anteriores do PT e de Michel Temer (MDB).
Apesar de não descartar a possibilidade de retornar a um cargo ministerial, Kassab afirmou que essa não é uma prioridade em seu horizonte atual, embora considere a função “muito honrosa”. O PSD, que manteve três ministérios no governo Lula 3, optou pela neutralidade no primeiro turno das eleições presidenciais, posição que o partido pretende usar como trunfo nas negociações com o governo. Kassab também admitiu a discussão sobre anistia para viabilizar a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado, considerando a saída de Flávio Bolsonaro do país e a inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
Desempenho eleitoral do PSD em 2024 e expectativas
As eleições municipais de 2024 apresentaram um cenário misto para o PSD. Embora a sigla tenha celebrado vitórias significativas, também registrou perdas importantes, especialmente no Senado, onde sua bancada deve encolher de 13 para cinco cadeiras a partir de 2027, e em disputas por governos estaduais nas regiões Sul e Sudeste.
No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD-PR) não conseguiu eleger seu sucessor, Sandro Alex (PSD-PR). Kassab atribuiu a derrota à demora na definição do candidato. “No caso do Ratinho Junior, demorou muito para escolher o sucessor. Se o candidato estivesse em campo há mais tempo, teria mais chances”, avaliou. A sigla também lamentou a derrota do governador Mateus Simões (PSD-MG) em Minas Gerais.
Um dos reveses mais notáveis foi a derrota de Eduardo Paes (PSD-RJ) no Rio de Janeiro, que era considerado favorito. O PSD contesta a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no Supremo Tribunal Federal (STF) e busca reverter o resultado para que o segundo turno ocorra. “Estamos contestando no Supremo Tribunal Federal (STF) porque discordamos da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). […] Sendo revertida, Paes no mano a mano com o Douglas Ruas vai mostrar que é mais preparado”, afirmou Kassab.
Raquel Lyra é apontada como destaque e esperança para o futuro
Em contrapartida, a governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD-PE), emergiu como um dos principais destaques do partido ao vencer o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB-PE), no primeiro turno. Kassab projetou a importância de Lyra no cenário político nacional: “Temos a mulher com o maior protagonismo na vida pública brasileira hoje. Se uma mulher for presidente nos próximos dez anos, será ela”.
Além de Pernambuco, o PSD conquistou vitórias em Sergipe com Fábio Mitidieri e no Maranhão com Eduardo Braide. Na Região Nordeste, a sigla também venceu no Amapá com Dr. Furlan e no Amazonas com o senador Omar Aziz, totalizando cinco governadores eleitos em todo o país. Essas vitórias regionais buscam fortalecer a base do partido para futuras negociações políticas em nível nacional.
