Ministério Público Eleitoral apura declarações de prefeito sobre apoio político
O Ministério Público Eleitoral (MPE) abriu um procedimento para investigar o prefeito de Érico Cardoso, na Bahia, Eraldo Félix (Republicanos), por declarações que soaram como ameaça a servidores municipais. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o gestor afirmou que aqueles que não apoiarem a reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) deveriam pedir para sair da prefeitura. A fala, que utilizou metáforas futebolísticas, está sob análise para determinar se houve constrangimento eleitoral e uso indevido da estrutura municipal.
No vídeo, gravado ao lado do vice-prefeito Deivison Mendonça (PT), Eraldo Félix comparou a disputa política a uma partida de futebol e disse que, dentro da administração, “só tem um técnico”. Ele justificou a necessidade de deixar as “regras claras” antes do período eleitoral, argumentando que não desejava ferir a liberdade de expressão, mas cobrando o apoio de quem, segundo ele, se beneficia da gestão. A declaração completa foi: “Queremos deixar bem claro para a população de Água Quente [antigo nome de Érico Cardoso], aquele que não tiver a fim de fazer parte desse time, pede para sair logo agora. Porque a hora é agora, para não me dar sequer a decepção de ter que mandá-los embora”.
Félix reforçou que quem não concordar com o posicionamento político da administração deveria se retirar voluntariamente para evitar uma demissão futura. “Não quero ter a tristeza de mandar embora, mas se necessário for, pode ter a certeza, farei com a maior serenidade e tranquilidade possível”, declarou o prefeito no vídeo. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Gazeta do Povo.
MPE analisa possível coação eleitoral
O procedimento instaurado pelo MPE, sob a responsabilidade do Promotor de Justiça Victor de Araújo Fagundes, da 111ª Zona Eleitoral de Paramirim, visa apurar se houve a utilização da estrutura da prefeitura para influenciar a escolha política dos servidores. A legislação eleitoral assegura o voto livre e secreto, proibindo práticas de pressão ou coação sobre eleitores. Em nota oficial divulgada na quinta-feira (16), o MPE informou que o expediente foi remetido ao Procurador Regional Eleitoral para as medidas judiciais cabíveis.
Até o fechamento desta matéria, o gabinete do prefeito Eraldo Félix não havia respondido aos contatos da reportagem para comentar as declarações e a investigação do MPE. O jornal segue aberto para publicar a manifestação do prefeito caso ele se pronuncie posteriormente.
