Investigação de fraudes no INSS é dividida para cumprir determinação judicial
A Polícia Federal adotou uma estratégia de desmembramento de inquéritos relacionados a fraudes bilionárias no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para atender a um ultimato do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com o prazo para perícia técnica se esgotando no final de agosto de 2026, a divisão das frentes de trabalho busca otimizar o tempo e garantir o cumprimento da determinação judicial. O caso, que investiga desvios na ordem de R$ 6 bilhões, tem se expandido e agora atinge novas estruturas políticas e empresariais no país.
A decisão de fragmentar a investigação em processos menores e independentes surge como resposta à exigência do STF de concluir a análise de aproximadamente 1,7 mil aparelhos eletrônicos apreendidos. Diante do volume massivo de dados e de uma equipe de investigação limitada, a estratégia permite que diferentes equipes atuem simultaneamente em diversas frentes. Essa abordagem visa evitar gargalos processuais e assegurar que o cronograma judicial seja cumprido sob intensa pressão.
As informações que fundamentam esta reportagem foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Novos desdobramentos e alvos na investigação
Inicialmente focada em fraudes nos descontos de aposentados, a investigação revelou indícios de outros crimes, como corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência, a partir do material apreendido. Entre os novos alvos, figuram familiares do senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz, em uma fase que apura a ocultação de valores nos estados do Maranhão e no Distrito Federal. Adicionalmente, foram abertos três inquéritos específicos para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, por suspeitas de tráfico de influência, embora ele não seja diretamente investigado no esquema principal de fraudes do INSS.
Impacto do encerramento da CPMI e declarações das defesas
Apesar do encerramento da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS em 2025 sem um relatório oficial aprovado, o material coletado pelos parlamentares, incluindo mais de mil quebras de sigilo, foi crucial. Essas informações foram compartilhadas com órgãos como o Ministério Público Federal e a Polícia Federal, alimentando novas linhas de apuração. Investigadores apontam que muitas das suspeitas levantadas pela oposição na comissão ganharam corpo e provas concretas nos inquéritos atuais.
As defesas dos citados se manifestaram sobre as acusações. O advogado de Fábio Luís Lula da Silva nega irregularidades, classificando as investigações como uma “pesca probatória” com viés político. O senador Weverton Rocha declarou que suas atividades empresariais são lícitas e declaradas, e que ele não é alvo direto das buscas recentes. O advogado Willer Tomaz também afirmou que os fatos mencionados se referem a relações profissionais documentadas e que ele não é investigado. O Palácio do Planalto, por sua vez, não se pronunciou oficialmente sobre as citações a ex-assessores e empresários próximos.
