PF investiga se Lulinha recebeu valores de lobista e mediou reunião no Planalto
PF investiga se Lulinha recebeu valores de lobista e mediou reunião no Planalto

PF investiga se Lulinha recebeu valores de lobista e mediou reunião no Planalto

Filho de Lula é alvo de apurações sobre repasses financeiros e acesso privilegiado ao Planalto A Polícia Federal (PF) apura se valores repassados pela lobista Roberta Luchsinger, oriundos de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, chegaram a Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula […]

Resumo

Filho de Lula é alvo de apurações sobre repasses financeiros e acesso privilegiado ao Planalto

A Polícia Federal (PF) apura se valores repassados pela lobista Roberta Luchsinger, oriundos de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, chegaram a Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeita surge a partir de uma transferência de R$ 1,5 milhão feita pelo “Careca do INSS” a Roberta, cujos pagamentos ligados a pessoas e empresas próximas a Lulinha também estão sob escrutínio. Roberta Luchsinger nega ter repassado dinheiro ao filho do presidente.

As informações foram reunidas a partir de reportagens da Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo.

Quadro de 100 mil euros e despesas pessoais de ex-chefe de gabinete de Lula em foco

Em outra vertente das investigações, um quadro avaliado em 100 mil euros, citado em conversas entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete de Lula, também veio à tona. Segundo O Estado de S. Paulo, Marcola questionou Roberta sobre a obra em dezembro de 2024, que indicou seu valor e localização em Paris. Paralelamente, a Folha de S.Paulo revelou que Roberta cobriu despesas pessoais de Marcola totalizando R$ 217 mil ao longo de 2024, incluindo faturas de cartão de crédito, financiamento de veículo e joias, em um período em que a lobista buscava facilitar negócios dentro do governo federal.

Marcola, por sua vez, alega que os pagamentos foram parte de um empréstimo pessoal de R$ 249 mil, posteriormente quitado com juros. A PF, no entanto, ressalta a coincidência temporal entre essas movimentações financeiras e as tratativas da lobista com o governo.

Indícios de atuação coordenada e intermediação de agendas

Reportagens da Veja indicam que a PF investiga uma possível atuação coordenada entre Lulinha, Roberta Luchsinger e empresários. A lobista teria atuado como articuladora de contatos e negócios, utilizando sua proximidade com integrantes do Planalto. Um dos negócios investigados envolvia a tentativa de fornecimento de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde, com uma proposta de venda de 1,2 milhão de frascos estimada em R$ 626 milhões, embora o contrato não tenha sido fechado.

A hipótese da PF é que a proximidade de Lulinha com o governo reforçava a capacidade de Roberta em obter interlocução com autoridades federais, atuando como beneficiário indireto de suas articulações. Adicionalmente, mensagens encontradas no celular de Roberta Luchsinger associam Lulinha à abertura de uma agenda no Palácio do Planalto para o governador do Maranhão, Carlos Brandão. Em um áudio de maio de 2024, Roberta informa a Lulinha que Brandão seria recebido por Marcola, e que o filho do presidente teria “conseguido a agenda”. O encontro, que ocorreu e consta nos registros oficiais, foi associado pela lobista à liberação de uma obra no Maranhão, mencionando o presidente Lula na conversa. Brandão negou depender de intermediários para agendamentos no Planalto. Cerca de um mês após essa reunião, Lula anunciou um pacote de obras no Maranhão superior a R$ 59 bilhões.

Defesas negam irregularidades e criticam vazamentos

Marco Aurélio Carvalho, advogado de Lulinha, lamentou o que descreveu como extrapolação de limites éticos e legais por parte de setores da PF, que estariam “capturados por interesses políticos e eleitorais”. Ele enfatizou a ausência de provas de desvio de dinheiro público, atos de ofício ou envolvimento de autoridades com foro privilegiado, e reiterou a disponibilidade de Lulinha para prestar esclarecimentos. A defesa de Marcola refuta qualquer contrapartida ilícita, afirmando que os pagamentos de Roberta foram um empréstimo pessoal quitado, e também critica o vazamento dos inquéritos. Roberto Podval, advogado de Roberta Luchsinger, limitou-se a afirmar que não comentará um inquérito sob sigilo judicial.

Os episódios investigados pela PF buscam estabelecer se relações pessoais, movimentações financeiras e acesso a autoridades formaram um esquema para favorecer interesses privados, ampliando o material reunido em inquéritos que alcançam Lulinha e investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção.

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