Operação descapitaliza lobista ligado a fraudes no INSS
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (21) uma operação em Brasília para cumprir mandado de busca e apreensão contra o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. A ação, parte da Operação Sem Desconto, resultou na apreensão de três carros de luxo pertencentes a Antunes, avaliados em até R$ 3 milhões. O objetivo é descapitalizar o investigado, suspeito de envolvimento em um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS.
Foram apreendidos um Audi R8 V10, um Opala Diplomata vintage e um BMW M5, que estavam guardados em uma garagem na capital federal. A decisão de apreensão partiu do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Antunes foi o único alvo desta fase da operação, que já teve autorização para o leilão de outros R$ 6 milhões em bens em março. Recentemente, o lobista foi indiciado por corrupção e lavagem de dinheiro.
A defesa de Antonio Carlos Camilo Antunes informou que já havia comunicado a localização dos bens às autoridades no ano passado, buscando afastar qualquer alegação de dilapidação ou ocultação patrimonial. Os advogados afirmaram que sempre estiveram à disposição para colaborar com os trâmites de apreensão.
Histórico do “Careca do INSS” e investigações
Antonio Carlos Camilo Antunes foi preso em setembro, quando a PF deflagrou a Operação Sem Desconto para apurar a fraude que realizava descontos ilegais em aposentadorias e pensões. As investigações apontam Antunes como um dos principais operadores do esquema, que pode ter desviado até R$ 6,3 bilhões. Em março de 2025, durante depoimento à CPMI do INSS, Antunes negou participação nas fraudes, classificando sua prisão preventiva como “extremamente grave” e baseada em premissas equivocadas.
A Polícia Federal também apura um possível elo entre o lobista e o filho do presidente, Lulinha, incluindo uma viagem a Portugal custeada por Antunes. As investigações buscam identificar uma triangulação de recursos e o uso de empresas de fachada nos pagamentos oriundos das fraudes previdenciárias. Em maio, houve uma troca no comando das investigações, o que gerou críticas sobre possível influência política na decisão.
