O senador Jaques Wagner (PT-BA) apresentou à Justiça Eleitoral uma declaração de bens que totaliza R$ 24,5 milhões, um crescimento expressivo de 630% em comparação aos R$ 3,3 milhões declarados na eleição de 2018. A informação foi submetida ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e está disponível publicamente no site DivulgaCand Contas.
O principal componente do aumento patrimonial de Wagner é um crédito de R$ 13,8 milhões, originado da venda de um terreno de 51 mil metros quadrados. O imóvel, adquirido em 2000 por R$ 28 mil (equivalente a cerca de R$ 130 mil corrigidos), foi negociado no ano passado por R$ 15 milhões. A negociação envolveu o Esporte Clube Bahia e a empresa Lagoons Empreendimentos SPE Ltda.
A valorização do terreno é atribuída à sua localização estratégica às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada e contratada durante o governo de Wagner na Bahia (2007-2014). A obra, inaugurada em 2018, impulsionou a expansão urbana na região metropolitana de Salvador.
Recentemente, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça suspendeu a transferência do terreno em decisão assinada em 25 de junho, no contexto da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. O senador comentou a venda do imóvel em julho, em entrevista à rádio Andaiá FM, mencionando que parte do terreno foi utilizada na construção da rodovia, mas que não cobrou indenização pela desapropriação.
Investigações e Bens Declarados
Jaques Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal. As investigações apuram suspeitas de recebimento de vantagens financeiras indevidas do Banco Master, como um apartamento de luxo em Salvador, viagens e ingressos para eventos. Após ser alvo da PF, o senador deixou a liderança do governo Lula no Senado. Wagner nega as irregularidades e afirma que comprovará sua inocência.
Em sua declaração mais recente, além do crédito imobiliário, Wagner listou aplicações em renda fixa (CDB, RDB, LCA, CRI e CRA) e debêntures, um apartamento em Salvador avaliado em R$ 1,6 milhão e 50% de um sítio em Andaraí (BA) no valor de R$ 204 mil. Em 2018, seus bens incluíam um apartamento em Salvador e dois herdados no Rio de Janeiro, além de três veículos.
Os veículos declarados em 2026 incluem uma Mercedes Benz (R$ 125 mil), um BYD Song Plus (R$ 135 mil), um Audi (R$ 130 mil) e uma Volkswagen Amarok (R$ 100 mil). Um Ford de 1929, mantido pelo senador, foi declarado pelo mesmo valor de R$ 5 mil em ambas as declarações.
As informações foram compiladas a partir de dados divulgados pela Justiça Eleitoral e reportagens do jornal Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.
