O ator Rui Rezende, que se notabilizou na televisão brasileira especialmente pelo papel do Professor Astromar Junqueira em “Roque Santeiro”, morreu nesta quinta-feira (25), aos 88 anos, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada pelo Retiro dos Artistas, instituição onde ele residia desde 2019.
Rezende estava internado há dez dias no Hospital São Francisco na Providência de Deus, na Tijuca, Zona Norte do Rio. A causa da morte não foi divulgada. O Retiro dos Artistas lamentou a perda em nota, destacando que o ator “emocionou o público com seu talento nos palcos, no cinema e na televisão, construindo uma trajetória marcada pela dedicação à arte e por personagens que permanecerão vivos na memória de gerações”.
Nascido em Araguari (MG), em 18 de novembro de 1937, Rui Rezende construiu uma carreira sólida e respeitada, sendo considerado um dos melhores atores coadjuvantes do país. Sua trajetória artística começou na TV Tupi, onde atuou até o início dos anos 70. Posteriormente, transferiu-se para a TV Globo, emissora onde viveu alguns de seus papéis mais icônicos, especialmente em obras de Dias Gomes. Entre eles, destacam-se o trambiqueiro Dico em “O Espigão” e, inesquecivelmente, o Professor Astromar, o erudito professor que se transformava em lobisomem nas noites de lua cheia na novela “Roque Santeiro”, um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira.
O ator também integrou o elenco da minissérie “Incidente em Antares” e, no final dos anos 80, teve passagem pela TV Manchete, participando das novelas “Kananga do Japão” e “A História de Ana Raia e Zé Trovão”. Seu último trabalho na televisão foi em 2011, na série “A Grande Família”.
Marcado pelo “Lobisomem Erudito”
Mesmo após tantos anos, Rui Rezende ainda era reconhecido e celebrado pelo papel do Professor Astromar. Em sua última entrevista ao jornal Extra, ele relembrou com carinho o personagem e a identificação que o público tinha com ele. “As pessoas lembram muito. Eu gostei demais daquilo que fiz. E foi um momento bom porque eu era aquilo. Eu era o lobisomem”, declarou, comparando o personagem com seu próprio lado mais introspectivo e ligado à natureza. “Sou da roça, nasci no campo. Tenho esse lado de bicho do mato. Nunca fui de turma. E aquele personagem era um sujeito recuado da existência humana. Aquilo dava o tom do personagem”, explicou.
Ao longo de sua carreira, Rui Rezende participou de dezenas de filmes e novelas, consolidando uma obra rica e diversificada. Sua transferência para o Retiro dos Artistas, em Jacarepaguá, em 2019, foi motivada pelo desejo de viver mais próximo de amigos e em um ambiente de acolhimento na terceira idade. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Retiro dos Artistas e pelo jornal Extra.
