Médico relata queda do 7º andar e sequelas após uso de Zolpidem
Médico relata queda do 7º andar e sequelas após uso de Zolpidem

Médico relata queda do 7º andar e sequelas após uso de Zolpidem

Médico narra pesadelo após uso de Zolpidem e alerta para riscos Um grave acidente ocorrido em junho de 2022 deixou o médico Vitor Piva, então com 30 anos, com sequelas permanentes, incluindo a perda da visão e a amputação de parte da perna direita. O episódio, segundo o próprio profissional, foi resultado direto do uso […]

Resumo

Médico narra pesadelo após uso de Zolpidem e alerta para riscos

Um grave acidente ocorrido em junho de 2022 deixou o médico Vitor Piva, então com 30 anos, com sequelas permanentes, incluindo a perda da visão e a amputação de parte da perna direita. O episódio, segundo o próprio profissional, foi resultado direto do uso excessivo de Zolpidem, um medicamento comumente prescrito para insônia. A história de Piva serve como um alerta sobre os perigos do consumo inadvertido e abusivo de substâncias hipnóticas.

Na manhã de 29 de junho de 2022, após um plantão noturno extenuante em São Paulo, Piva não conseguia dormir. O estresse do trabalho e o barulho de uma obra próxima ao seu apartamento o impediam de descansar. Ciente dos riscos, mas buscando alívio, ele recorreu ao Zolpidem, medicamento que já utilizava. Naquela ocasião, um único comprimido não foi suficiente, levando-o a consumir vários outros em sequência, em quantidade que ele não soube precisar. O que se seguiu foi um lapso de memória: ele só voltou a ter consciência na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), descobrindo a gravidade de suas lesões.

As informações foram reunidas a partir do depoimento do médico Vitor Piva.

O acidente e as consequências

Vitor Piva havia caído da sacada de seu apartamento, localizado no sétimo andar. A queda resultou em ferimentos graves que levaram à amputação de sua perna direita e à perda da visão. A polícia inicialmente suspeitou de tentativa de suicídio, mas as investigações posteriores concluíram que o acidente foi causado pelos efeitos colaterais do Zolpidem, como sonambulismo e alucinações, potencializados pelo uso de múltiplas doses.

O médico, que hoje tem 34 anos, relata que a sua sobrevivência foi um milagre. Ele passou 90 dias internado, recebendo apoio fundamental de seus pais e irmão, que se mudaram de Cuiabá para São Paulo para acompanhá-lo. O longo processo de recuperação incluiu diversas cirurgias e uma tentativa de tratamento para a visão com células-tronco na Tailândia, que não trouxe os resultados esperados, mas o motivou a buscar um novo rumo.

Aumento no consumo e alerta das autoridades

O caso de Vitor Piva se insere em um contexto de crescente preocupação com o uso de Zolpidem e outras drogas Z (como zopiclona e eszopiclona). Desde o início da pandemia de Covid-19, a comercialização desses medicamentos disparou no Brasil. Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicam um salto nas vendas de 13,2 milhões de caixas em 2018 para quase 22 milhões em 2023. Em novembro do ano passado, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) emitiu um alerta sobre o uso indiscriminado, classificando o problema como de saúde pública, com relatos de dependência, abuso e crises de abstinência.

Em resposta ao aumento da demanda e aos riscos associados, a Anvisa implementou regras mais rigorosas para a venda do Zolpidem em agosto de 2024, exigindo receita médica especial (receita B azul), o que restringe o acesso ao medicamento. Originalmente lançadas nos anos 1990 como alternativas mais seguras aos benzodiazepínicos para insônia ocasional, as drogas Z têm demonstrado potencial para causar dependência química e efeitos adversos complexos, incluindo sonambulismo, amnésia e comportamentos de risco durante o sono.

Recomeço e esperança

Apesar das severas sequelas, Vitor Piva buscou formas de retomar sua vida e carreira. Após o período de recuperação e o apoio recebido, ele se sentiu motivado a retornar ao mercado de trabalho. Atualmente, atua na área de perícias médicas particulares, área que conheceu após uma reportagem e para a qual fez um curso. Essa nova atividade, segundo ele, tem sido fundamental para se sentir melhor e produtivo, mesmo com suas limitações.

A prática de atividades físicas também tem sido essencial em sua reabilitação. Piva se dedica ao arco e flecha no Centro Paralímpico de São Paulo e à musculação em sua academia. Seus planos futuros incluem a natação. O médico reforça que nunca mais utilizou Zolpidem e faz questão de alertar outras pessoas sobre a importância do uso restrito e supervisionado do medicamento. Seu maior sonho, no entanto, permanece a esperança de um dia recuperar a visão.

Tags:

Veja Também

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Mulheres lideram compras de cuecas no Brasil, representando até metade das aquisições

Pediatria alerta sobre uso de 'canetas emagrecedoras' em crianças e adolescentes

Pediatria alerta sobre uso de ‘canetas emagrecedoras’ em crianças e adolescentes

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Cruz Vermelha condena ataques a equipes de combate ao ebola na RDC

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Fungos e bactérias podem sobreviver na Lua, mas sem proliferação, aponta estudo

Perda de 15% da força muscular já é sinal de alerta para mobilidade na velhice, aponta estudo

Perda de 15% da força muscular já é sinal de alerta para mobilidade na velhice, aponta estudo