Juristas apontam risco à imparcialidade do Judiciário com intermediação em agendas políticas
A Lexum, coletivo de juristas liberais e conservadores fundado com o objetivo de resistir ao que considera arbítrios do Supremo Tribunal Federal (STF), criticou veementemente a participação de ministros da Corte na mediação de um jantar entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo a entidade, a atuação de membros do STF em tais encontros contraria a necessária distância institucional e a imparcialidade exigidas para o exercício de suas funções.
A nota técnica divulgada pela Lexum aponta que a preservação da imparcialidade do Judiciário transcende a correção de suas decisões, exigindo também que seus integrantes se mantenham afastados da construção de consensos políticos e da condução de agendas governamentais. A associação argumenta que, ao deixarem o papel de árbitros para atuarem como mediadores políticos, os ministros tornam a fronteira entre a jurisdição e a articulação política menos nítida, o que é prejudicial ao sistema democrático.
As informações sobre o jantar, que teria ocorrido na residência do ministro Alexandre de Moraes, foram inicialmente veiculadas pelos jornais O Globo e Estadão. Segundo relatos, o ministro Cristiano Zanin também esteve presente e teria atuado na mediação da reunião. O encontro privado teria como objetivo reatar as relações entre o presidente Lula e o presidente do Senado, abaladas após a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF, que enfrentou resistência no Senado.
Crise de indicações e a busca por reaproximação
O rompimento entre o Palácio do Planalto e a presidência do Senado se intensificou em abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF. Essa rejeição foi vista como um revés para o governo e teria sido articulada com a participação de membros do Judiciário, segundo aponta a Lexum. O jantar entre Lula e Alcolumbre, confirmado pelo próprio senador à imprensa como um encontro de “segredo”, buscava justamente apaziguar os ânimos e restabelecer a harmonia entre os poderes.
A Lexum, em sua manifestação, reforça que a Constituição busca preservar justamente essa separação e a imparcialidade do Supremo. A participação de ministros em negociações políticas, mesmo que com o intuito de pacificação, é vista pela associação como um desvio de função que pode minar a confiança pública na independência do Judiciário.
